Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular

Conheça o Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular da Sociedade Portuguesa da Medicina Interna (SPMI).

Secretariado: Biénio 2019-2021

Coordenador: Francisco Araújo

Coordenador Adjunto: Pedro Marques da Silva

Secretariado: Vitória Cunha (secretária-geral); Rodrigo Leão (representante Sul), Pereira de Moura (representante Centro), Pedro von Hafe (representante Norte)
Tesoureira: Patrícia Vasconcelos

Contactos: neprv@spmi.pt

História

A doença aterosclerótica vascular (e as suas manifestações pliotrópicas clínicas) – potencialmente preveníveis e com consequências de sobremaneira evitáveis – continuam a ser a principal causa de morbilidade e mortalidade entre nós. Nos homens, esta causa de morte é responsável por um quarto dos óbitos (25,7%) e, ao contrário, do que é frequentemente presumido, a mortalidade cardiovascular na mulher tem sido ainda maior em Portugal nos últimos anos.

O número de anos potenciais de vida perdidos, por doença cardiovascular – maioritariamente de natureza aterotrombótica é enorme. Ora, a Medicina Interna – pela sua responsabilidade no sistema de saúde português, pelo carácter holístico do seu saber médico e pela sua maior dedicação à prevenção da doença e a melhoria da qualidade de vida – tem, neste contexto, uma dupla aptidão: de racionalizar o conhecimento e de implementar os esquemas de prevenção e tratamento que, em fases diversas e em momentos complementares, são tão indispensáveis.

Assim, o Grupo de Estudos de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, ao constituir-se, pretende aquilatar e impulsionar os melhores cuidados de saúde dos indivíduos – de ambos os sexos e em todas as idades – com ou em risco de doença aterotrombótica (de natureza multifatorial e integrativa). Esperamos que o Internista com vocação para a prevenção e medicina cardiovascular – em toda a sua abrangência – seja capaz de contribuir significativamente para o melhor tratamento e prevenção da doença cardiovascular de modo a integrar na prática clínica a panóplia de conhecimentos básicos, moleculares, celulares, diagnósticos e terapêuticos que estão, hoje, ao seu alcance para acautelar eventos e contrariar as suas consequências.

Reconhecemos que, apesar de muitas das sequelas clínicas da doença aterosclerótica poderem ser precavidas com a promoção de estilos de vida e comportamentos saudáveis (comuns, aliás, a outras doenças crónicas) e ao seu atempado, adequado e estruturado de vários fármacos “cardiovasculoprotetores”, a prática da prevenção e intervenção cardiovascular está longe de ser a ideal (ou, melhor dizendo, a possível, com consequências clínicas, económicas e sociais que todos reconhecemos. Temos também consciência que – apesar do muito que já foi feito – a prevenção efetiva cardiovascular está ainda arredada (ou, pelo menos, menorizada) no currículo médico da nossa Especialidade. Tanto no contexto da prevenção primária como na prevenção secundária (sem olvidarmos o significado central da prevenção primordial), a prevenção cardiovascular (no seu sentido mais largo e incluso) tem de deixar de ser marginal, periférica, na prática do Especialista de Medicina Interna (que é constantemente confrontado com as suas complicações mais tardias).

É este o desiderato e o sentir que preside à constituição deste de Grupo de Estudos que está certo integrar o cerne da nossa Especialidade e que pretende – de forma ativa, aberta e esclarecida – colaborar com todos os outros Grupos de Estudos já existentes – que connosco partilham estas preocupações. Não pretendemos substituir ninguém, mas colaborar com todos, complementar o que for possível, com o fim último de melhorar a saúde cardiovascular dos nossos doentes e da população portuguesa.

Pedro Marques da Silva – Coordenador

2º Documento sobre o Núcleo

Do Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular e dos compromissos assumidos

É reduzido o número daqueles que veem com os seus próprios olhos e sentem com o próprio coração. Mas da sua força dependerá que os homens tendam ou não a cair no estado amorfo para onde parece caminhar hoje uma multidão cega” (Einstein).

Prevenção e Risco cardiovascular (CV) são para o Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular (NERPV) – que tenho a honra de coordenar – princípios fundamentais. São para nós o que – esperamos! – são também para todos os médicos – e, por maioria de razão, para os Internistas – e para todos os técnicos de Saúde que, connosco, partilham o dia-a-dia dos nossos concidadãos com quem queremos partilhar este desiderato. Uma nota de inteira justiça para afirmar que me (nos) felicito (felicitamos), agradecido(s) por ter, ao meu lado, o Dr. Francisco Araújo. Todos lhe reconhecem o seu saber e qualidades que não devem ser olvidadas, mas agraciadas.

A prevenção CV é um imperativo ético. Um ditame num País em que as doenças do aparelho circulatório continuaram a ser a principal causa de morte, com 29,8% dos óbitos registados, em 2015, mais 0,5% do que em 2014 (um crescimento que deve ser seguido prudentemente!…): os acidentes vasculares cerebrais (AVC) figuraram com 10,8% do total de mortes e a cardiopatia isquémica com 6,7% (o enfarte agudo do miocárdio contribuiu para 4,0% do total de óbitos). Por isso, a prevenção CV é um desígnio que trespassa idades, géneros, disciplinas e grupos de intervenção. Partilhamos o que há a compartilhar, sabendo, de antemão, que muito ficará por fazer. Até porque todos os dias novas facetas assomam à nossa prática clínica: a fibrilação auricular (marco de uma transição epidemiológica do AVC entre nós) e a insuficiência cardíaca, a transposição da diabetes para a prevenção da doença CV, o tromboembolismo venoso (nos seus pliotropismos contextuais), a doença arterial periférica (e a transposição do risco noutros contextos vasculares) e a cardio-oncologia são, aliás, bons exemplos (outros haverão!…).

O NERPV e o Internista com vocação CV quer (e deve) contribuir claramente para a prevenção e o tratamento – sustentado na superior evidência científica, sempre concatenada pela melhor experiência clínica –, num contexto crescente de conhecimentos moleculares e celulares que é fundamental conduzir para uma Medicina Translacional. Mas, infelizmente, o curriculum médico, apesar das mudanças ocorridas nos novos planos de estudo, tem-se mantido quase inalterado. Os desenvolvimentos tecnológicos na doença CV (e na modificação do ambiente hospitalar) tornam elementar a avaliação da Formação Pós-Graduada e do exercício clínico diário. Neste particular o NERPV quer também ter um lugar, um espaço que é seu por direito e que possibilita a incorporação curricular de matérias e temas tradicionalmente pouco contempladas.

O NERPV quer também participar na educação e sensibilização da população, impulsionando estratégias globais (populacionais) modificadoras do risco CV na população. Tal desiderato abre o Núcleo e SPMI a programas apelativos para o Utente do SNS (e para a Comunidade onde se insere) e fomentam a humanização das Unidades onde trabalham (enquanto promotoras de Saúde CV). Ao afirmá-lo, o NERPV e o Internista CV assumem um compromisso significativo no tratamento e prevenção de doenças CV num campo crescente de conhecimentos (moleculares, celulares e clínicos). Este é um desafio real e compensador. Apesar dos resultados clínicos serem majorados pela modificação dos estilos de vida e pelo uso atempado e adequado do tratamento farmacológico, a prevenção CV na prática clínica está longe do ideal (com custos sociais e económicos por todos reconhecidos!).

A prevenção – primária ou secundária – CV não pode continuar a ser uma inquietação marginal do Especialista de Medicina Interna. É imperativo que o programa formativo do médico forneça a educação necessária à promoção da melhor da prevenção CV e de um compromisso de qualidade – fundamentada e custo-efetiva – com os seus utentes/doentes. É desejável que, pelo menos, alguns dos seus membros tenham conhecimentos em biologia vascular, aterosclerose, hipertensão arterial, dislipidemia e alterações do metabolismo lipídico, obesidade e controlo ponderal, diabetes mellitus, medicina do sono, nutrição e dieta, tabagismo, trombose, epidemiologia clínica, reabilitação cardíaca, fisiologia do exercício, farmacologia clínica, genética e farmacogenómica e os aspetos psicossociais da doença CV. A formação em prevenção CV deve, naturalmente, abarcar todo o contínuo de risco ao longo da vida (idade diversas e variantes biológicas), com diversidades de género e etnia, que têm de ser compreendidas e integradas.

O traquejo no ambulatório, na consultadoria e nos cuidados de continuidade devem agregar, em si, 3 abordagens: a aquisição de competências essenciais na exposição e prática clínica; a participação em órgãos consultivos, definidores de abordagens e estratégias; e a composição curricular que acentue os mecanismos fisiopatológicos e conhecimentos básicos da doença CV. Como especialista diferenciado, o Internista com vocação CV tem funções muito particulares na equipa multidisciplinar de prestação de cuidados médicos ao doente CV, assumindo, na maioria das vezes, um papel de charneira de orientador destes cuidados. O ajuste destes ofícios sujeita o Especialista de Medicina Interna à idoneidade na comunicação, conhecimento das tecnologias emergentes e eficiência na colaboração com todos os outros profissionais de saúde, redirecionando o plano diagnóstico e terapêutico na otimização de resultados, na conceção da confiança e afetuosidade, ultrapassando conflitos e motivando e inspirando doentes e colegas.

Pedro Marques da Silva

Carta aberta aos meus colegas e amigos

Ninguém gosta mais de falar do que os gagos, ninguém gosta mais de caminhar que os coxos” (Diderot).

No caso presente – e em meu nome pessoal – quero dizer a todos os meus amigos e companheiros que me sinto coxo… apesar do meu fervoroso desejo em fazer o caminho.

Prevenção e risco cardiovascular são para mim e para o nosso Núcleo de Estudos elementos essenciais, centrais. Mas são para nós o que – esperamos – são também para todos os médicos e para todos os técnicos de Saúde que, connosco, partilham o dia-a-dia e também – principalmente – para os nossos concidadãos a quem e com quem queremos partilhar este caminho.

É reduzido o número daqueles que vêem com os seus próprios olhos e sentem com o próprio coração. Mas da sua força dependerá que os homens tendam ou não a cair no estado amorfo para onde parece caminhar hoje uma multidão cega” (Einstein).

De coração (e com o coração) reconheço que não consigo sempre acompanhar o passo. Voluntarismo exagerado talvez. Moderação precisa-se…

Não temo em dizer que me felicito – e, desde já, agradeço reconhecido – por ter, ao meu lado, o Dr. Francisco Araújo. Todos o conhecem (todos lhe reconhecem…) e sabem que as suas qualidades não devem ser olvidadas, mas reconhecidas e agraciadas. Obrigado, meu amigo. Obrigado, colega.

A prevenção cardiovascular é um imperativo ético. Um desígnio que trespassa idades, géneros, disciplinas e grupos de intervenção. Partilhamos o que há a partilhar, sabendo, de antemão, que muito ficará por fazer. Estamos a dar os primeiros passos e, neste começo, temos primeiro de soerguer, construir, criar bases e só, depois, conceber pilares e fazer tetos.

Quero esclarecer. Esta é ainda a fase em que estamos: nascemos e queremos crescer… mas não devemos – por desígnio nenhum! – precipitar e mergulhar em suplementos (e aventuras) que nos façam medrar em falso. A queda, certamente, seria maior.

E, além do mais, não estamos sozinhos. Nunca estamos sozinhos, a não ser quando falhamos ou quando tombamos. Desde logo não estamos sozinhos porque temos connosco – e nela, orgulhosamente, estamos inseridos – a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e o seu Presidente. Não estamos isolados porque queremos partilhar experiências, saberes, actos e vivências com todos os outros Núcleos de Estudos. Todos, mas, por maioria de razão, o da Diabetes, o da Doença Vascular Cerebral, o da Insuficiência Cardíaca, o de Geriatria e o de Medicina Obstétrica. Este é um desiderato meu, estou certo um desejo nosso. E, obrigatoriamente, uma vontade partilhada que a melhor prática médica e preventiva obriga.

Onde estamos? Onde conseguirmos estar e onde possamos também partilhar com os nossos pares. A responsabilidade partilhada é também um preceito de todos. Mesmo, se eu não posso – como hoje – estar presente.

Esta obrigação é também dividida com outras Sociedades Científicas. Dissemo-lo logo no nosso documento inicial. Podem afirmar que ninguém deve servir 2 amos. Mas, também é verdade que “caminhar com um amigo no escuro é melhor do que caminhar sozinho à luz do dia” (Hellen Keller). E é isso também que sinto (que sentimos?) quando convivemos com a diabetes, a tromboprofilaxia, a hipertensão arterial, as dislipidemias e a aterosclerose, a nutrição, o idoso (especialmente o idoso frágil)… e por aí.

Voluntarismo de novo? Certamente. Mas, acreditem, é assim mesmo que sinto. Se o deixar de experimentar, paro porque alguma coisa ficou para trás (como os índios paravam junto ao rio angustiados pela “rapidez” de viver dos seus conquistadores europeuss!). Não quero avassalar. Repito, prefiro partilhar.

O mais difícil em qualquer caminhada é dar o primeiro passo. Uma vez consumado, tudo conspira a nosso favor, inclusivamente nós mesmos” (Gustavo santos).

Estamos num novo paradigma da prevenção cardiovascular. Desde há décadas…  desde o estudo de Framingham que pretendemos com a prevenção diminuir a incidência de doença cardiovascular, atrasar a ocorrência dos seus eventos até a idades mais avançadas e diminuir a morbimortalidade que lhe possa estar associada. Mas, estamos certos, que cada população no (e acerca do) risco cardiovascular tem sua própria idiossincrasia. Este é um desafio que queremos nosso. Objetivar o temperamento português na doença cardiovascular, em todas as suas expressões e em todas as suas vertentes.

Atualmente, a prevenção cardiovascular é baseada no cálculo do risco cardiovascular. Temos de ter a certeza que a validação para Portugal – do SCORE (ou de outra tabela de risco) – é adequada. Não será o trabalho só deste Núcleo de Estudos, desta Sociedade, mas de todos os que estão comprometidos com a saúde cardiovascular. E também a tutela. E também os cidadãos (e as cidadãs – agora politicamente correto!)

A estratégia preventiva é planeada de forma probabilística, de modo que o benefício a obter na população possa ser alcançado de forma razoável, em termos de acessibilidade e de número. Ora, isto só é possível com a melhor acuidade na precisão e confiabilidade dos instrumentos de avaliação. Por isso, pretendemos – e ambicionamos – estruturar e colaborar em estudos epidemiológicos que sejam, em definitivo, um contributo para a melhor reclassificação de grupos, idades e géneros.

Outros desejos e vontades assentarão em novos passos… e ao longo do caminho. O Francisco é um homem de vontades e de certezas. E está aí convosco.

Aproveito para dizer que também gostaríamos de recentrar a prevenção cardiovascular no Hospital e no doente internado. Afinal, o doente hospitalizado passa um período muito maior de tempo com o internista do que numa qualquer Consulta da Especialidade ou da Medicina Geral e Familiar. Temos, pois, de partilhar parte desta responsabilidade (prevenção cardiovascular) com os cuidados primários ou com o ambulatório, objetivando a redução do risco cardiovascular. Ouvir os doentes, promover a análise e discussão, fomentar a adopção e mudança de estilos de vida e diligenciar a adesão ao tratamento pode ser um passo para influenciar positiva e definitivamente o risco cardiovascular. Pode parecer intimidante equilibrar a prevenção cardiovascular com a abordagem clínica aguda requer o doente hospitalizado, mas este esforço e esta compreensão – quero afiançar – terá, no futuro, vantagens clínicas notórias e repercussão – direta ou indireta – na nossa vida do internamento e na nossa prática na urgência.

Desculpem a ousadia de ter endereçado estes pensamentos para vós. Vejam-nos, por favor, como uma forma de me redimir de não estar aí convosco. Vocês mereciam. E, afinal, estou…”Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já o não tenho” (Fernando Pessoa)

Pedro Marques da Silva

Coordenador do Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Cardiovascular

Objetivos

Plano de Ação

1 – Publicação do RV de 2018, que, irá manter a linha editorial orientadora da última edição. Mantém uma estrutura tipo year-book, em que é analisado e comentado aquilo que melhor se publicou no último ano. Após a edição de 2016/2017, importa promover este documento que constitui uma ferramenta importante na formação médica contínua nesta área. Face ao interesse demonstrado a publicação passa a ser anual.  A edição de 2016/2017 passa a estar disponível no site do núcleo.

2 – Realização da 1ª Reunião do Núcleo em 2019, programada para 7-8 de dezembro em local a definir. Será uma reunião a desenvolver com carácter anual com o intuito de rever o que de melhor se publicou no ano corrente, nos moldes da Publicação do RV

3 – Eleição do novo secretariado para o biénio 2019-2021. A realizar durante o Congresso Nacional de Medicina Interna. As listas concorrentes deverão ser apresentadas ao secretariado actual até 1 de Abril de 2019.

4 – Preparação na sequência do nosso Congresso – de uma tomada de posição (juntamente com a Dra. Vitória Cunha, do nosso Núcleo e da direção da SPH), sobre o risco CV e o acompanhamento a longo prazo da mulher com preeclampsia e HTA na gravidez (em conclusão)

Pré-eclampsia não é apenas uma doença da gravidez!

Pré-eclampsia (PE) é uma síndrome clínica com um espectro largo e evolutivo, com frequente envolvimento multissistémico. Podendo ter um caracter paroxístico, torna-se difícil imputar um diagnóstico inflexível. Genericamente, é aceitável considerar que, enquanto distúrbio hipertensivo da gravidez (DHG), o diagnóstico passa pela presença de hipertensão (HTA) de início recente das 20 semanas da gestação que é acompanhada de lesão adicional de órgão-alvo. Quando estabelecida, a PE progredirá até o parto e poderá persistir, ou piorar, no pós-parto. Como uma das principais causas de morbilidade e mortalidade materna (e.g. eclampsia, acidente vascular cerebral isquémico ou hemorrágico, descolamento da placenta, hemólise, disfunção hepática e trombocitopenia [síndrome HELLP com ou sem hemorragia], coagulação intravascular disseminada, hemorragia/rotura hepática, edema pulmonar, síndrome de dificuldade respiratória do adulto, insuficiência renal aguda e morte) e fetal.

A PE está confrontada com uma invasão citotrofoblástica inadequada do miométrio uterino com hipoperfusão placentária e disfunção endotelial generalizada que, acarreta ou se relaciona com alterações sequenciais dos fatores circulantes angiogénicos e antiangiogénicos, com origem na placenta.

Apesar disso, a PE – e, de uma forma geral, todos os DHG – tem sido contemplada como autolimitada, com efeitos residuais mínimos, terminada a gravidez. Mas, em definitivo, a PE não pode continuar a ser considerada apenas como uma doença da gravidez, mas sim como uma enfermidade com implicações largas, graves, ao longo da vida para a mãe e o recém-nascido.

A PE eclâmpsia está associada a um aumento risco materno de desenvolver HTA persistente, cardiopatia isquémica, défices neurológicos e doença vascular cerebral, tromboembolismo, diabetes tipo 2, disfunção renal crónica e morte prematura. Cotejados com estes prognósticos, é ainda difícil depreender se a PE partilha fatores de risco predisponentes comuns com as entidades clínicas que se desdobram a posteriori ou determina, a longo prazo, danos endoteliais, vasculares e dos órgão-alvo que sustentam a sua revelação subsequente. A PE pode ocorrer precocemente (< 34 semanas) ou ser mais tardia (≥ 34 semanas de gestação). O início tardio é mais comum, mas o aparecimento precoce está acomunado a riscos mais elevados de morbimortalidade materna e fetal. De fato, as crianças nascidas de uma gestação complicada por PE têm, também elas, implicâncias a longo prazo e maior vulnerabilidade à doença ao longo da vida.

A PE sobrevém, assim, como um marcador precoce de risco na mulher e uma ocasião para programar a prevenção cardiovascular (CV) que não pode ser mitigada. Muitas das mulheres que desenvolvem DHG têm, antes da conceção, dos fatores de risco CV (HTA, diabetes, dislipidemia, obesidade e síndrome metabólica) e, talvez, aterosclerose subclínica, lesivo da componente vascular materna ordenada pela placentação. No pós-parto, perdura a maior prevalência de fatores de risco CV (HTA, disglicemia e dislipidemia) – características da síndrome metabólica – e as maiores taxas de obesidade e outras anomaiias bioquímicas associadas à doença CV (e.g. aumento de proteína c-reativa, resistência à insulina e microalbuminúria). Há, pois, nestas mulheres que avaliar, de forma cuidadosa e iterada o risco CV, enfatizar os comportamentos de estilo de vida saudável, a determinação do perfil lipídico pelo menos seis semanas após o parto e a apreciação sistemática de uma HTA persistente ou incidente.

Consciencializados do risco futuro da doença CV precoce após a PE, médicos e doentes, temos de estar capazes de impulsionar a saúde CV, fomentar a abordagem não farmacológica e a manutenção de estilos de vida saudáveis e de garantir a deteção atempada de doença CV.

5 – Tomadas (2) de posição pública – para o público em geral – no Dia Mundial de Hipertensão (o risco “desconhecido” da HTA na população e na mulher).

Tem a pressão arterial elevada? É hipertenso?

Infelizmente, hoje, ser hipertenso é saber que está muito e largamente acompanhado.

Cerca de 42% dos portugueses têm valores anormais da pressão arterial, o que significa que mais de 3 milhões são hipertensos. A prevalência da hipertensão é maior no sexo masculino (44% dos homens têm a pressão arterial elevada) do que no sexo feminino (40% das mulheres são hipertensas). Estes números ganham um significado ainda mais preocupante quando se sabe que 25% dos hipertensos não sabem que têm uma pressão arterial elevada. Alguns sabem que são hipertensos, mas não tomam os medicamentos ou recusam – consciente ou inconscientemente – as propostas de estilos de vida que lhe foram indicadas: comer sem sal, emagrecer, deixar de fumar…

Em Portugal, cerca de 25% dos indivíduos com hipertensão arterial não tomam medicamentos. A culpa não é, naturalmente, só deles; os médicos, o sistema de saúde, as preocupações de todos os dias, o dinheiro que não estica, também ajudam. Mas, já que temos de tomar um medicamento, ao menos que consigamos baixar a pressão arterial! Ora, entre nós, dos hipertensos que estão medicados, só 42% estão controlados

É hipertenso? Tem razão, pois, para estar desassossegado. Há entanto, que lhe dizer que pode fazer muito por si, pela sua Saúde e pela sua pressão arterial. Você pode fazer, nós – a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e o seu Núcleo de Estudos de Risco e Prevenção Cardiovascular – queremos fazer e todos podemos e devemos ajudar.

Primeiro, a subida da pressão arterial pode ser evitada. A hipertensão arterial é escusável e quando existe não é, necessariamente, uma catástrofe. Porque pode e deve ser tratada. O tratamento da hipertensão arterial determina uma redução muito significativa no risco de ocorrência de um qualquer acontecimento indesejável cardiovascular (uma trombose cerebral ou um enfarte do miocárdio, por exemplo), prolonga a vida e melhora a qualidade de vida.

Mas, naturalmente, antes de tomar uma parte ativa – fundamental – no tratamento da sua doença, talvez queira saber o que é, afinal, a hipertensão arterial, como é que ela aparece, o que pode fazer para a tratar e o que lhe pode acontecer se não cuidar da sua saúde cardiovascular. Bem informado, pode participar de forma ativa no seu tratamento. Mas queremos mais, pretendemos que, informado, sinta que o que lhe é proposto não é só para hoje, mas que tem de ser continuado amanhã. A hipertensão arterial é uma doença crónica. Podemos baixar os valores da pressão arterial, a curto prazo, mas o que queremos, com o controlo dos valores tensionais, é prevenir as consequências potencialmente deletérias que podem ocorrer, a longo prazo.

Mas, afinal o que é a hipertensão arterial?

A palavra “hipertensão” pode, erradamente, sugerir uma tensão excessiva, um nervosismo ou uma excitação não controlada. No entanto, do ponto de vista médico, fala-se de hipertensão arterial quando há uma elevação da pressão sanguínea nas artérias, ou seja, quando o sangue – o fluxo sanguíneo – exerce, nas artérias, uma força maior do que a habitual. É esta pressão excessiva, deslocada, não fisiológica que, em última análise, acaba por causar por danos nos vasos, no coração, no cérebro ou nos rins.

O sistema cardiovascular – o coração, as artérias, as veias e os capilares e o sangue que neles circula – constitui uma rede extensa que une as diversas partes do organismo e que transporta “nutrientes” e oxigénio. Por outro lado, como resultado dos processos de vida nas células e nos tecidos, surgem produtos que devem ser excluídos. Estes produtos são também transportados no sangue para virem depois a ser eliminados. É por isso que tem de haver pressão nas artérias, para empurrar o sangue através do sistema circulatório – de outra forma, o sangue acabaria, por força da gravidade, a ficar retido nas porções inferiores do corpo. Isto é, ainda, mais evidente – e talvez mais importante – quando tomamos consciência que o sangue precisa de chegar à cabeça, ao cérebro, e aí tem que vencer a força da gravidade.

Como em nossas casas, em que a água precisa de chegar aos andares superiores e, para isso, temos um motor, uma bomba, que a empurra, no nosso corpo temos o coração. O músculo cardíaco – a bomba da circulação – contrai-se, sincopada e regularmente, e espreme o sangue que está no seu interior (sístole cardíaca) para as artérias (e destas para os capilares) e depois descansa (diástole cardíaca). Durante operíodo de repouso, criam-se condições (num trabalho concertado dos nossos músculos, do coração e da respiração) para que, através das veias, o sangue volte a encher o coração. E, de novo, tudo se repete… 60 a 70 vezes por minuto, 3 900 por hora, 93 600 por dia, quase 35 milhões de vezes por ano.

Então, a pressão arterial é a força exercida pelo sangue nas paredes das artérias e, em última análise, depende da quantidade de sangue que é bombeada, em cada sístole, pelo coração e da resistências que o sangue tem de vencer para chegar aos tecidos. Assim, se uma artéria está mais contraída há um aumento das resistências e da pressão arterial. O contrário também é verdade: quando uma artéria dilata há uma baixa da pressão arterial.

Pois é, a pressão arterial é uma variável fisiológica e, como tal, admite a mudança e a adaptação a diferentes circunstâncias e a exigências várias. A pressão arterial varia consideravelmente durante o dia – e, naturalmente, também durante a noite (aliás, é o período em que – saudavelmente – mais baixa a pressão arterial!). É, pois, essencial saber o que é a pressão arterial e o interesse de a manter normal. Quando mede a pressão arterial, são-lhe ditos 2 valores, por exemplo, 134/82 mm Hg (milímetros de mercúrio). O primeiro número (134), mais elevado, produz-se quando o coração se contrai (sístole) e é a pressão arterial sistólica, máxima, o segundo número (82), menor, corresponde à relaxação entre um batimento e outro (diástole) e é a pressão arterial diastólica, a mínima. Hipertensão arterial (pressão arterial elevada), em repouso, como uma pressão sistólica superior ou igual a 140 mm Hg e/ou uma pressão diastólica superior ou igual a 90 mm Hg. Geralmente, na hipertensão arterial, tanto a pressão máxima como a mínima estão aumentadas. No entanto, pode haver situações em que a pressão sistólica é anormal (maior ou igual a 140 mm Hg), mas a diastólica mantém-se normal (isto é, menor que 90 mm Hg).

Quer saber: nos últimos anos, tem sido um esforço tremendo para compreender quais os fatores que parecem estar relacionados com a subida progressiva da pressão arterial e com o desencadear da hipertensão arterial. Sem termos todas as respostas, sabemos que muitos destes fatores estão relacionados com atitudes, gestos e comportamentos que podem ser modificados por si e por todos nós. A atividade física regular que deixámos de fazer, a comida que comemos em demasia, o peso que tem vindo a aumentar, o saleiro que insistimos em por na mesa, os cigarros que recusamos a deixar… tantos gestos, tantos sinais de que a hipertensão arterial pode estar a chegar e a doença cardiovascular está mesmo aí…

Hoje é dia 17 de maio. Neste Dia Mundial de Hipertensão junte-se a nós. O pleno atingimento de um projeto de saúde cardiovascular só é conseguido quando conseguirmos ultrapassar as barreiras de informação, de postura e de comportamento que criam reais dificuldades à mudança dos nossos estilos de vida e ao controlo efetivo da pressão arterial. É urgente chegar aos doentes, aos médicos, a todos os técnicos de Saúde e à Tutela, unindo-nos num projeto alargado e consensual que ponha ênfase na prevenção cardiovascular, acentue a qualidade clínica e promova a adoção das medidas necessárias para vencer o desafio da hipertensão arterial entre nós.

No Dia Mundial de Hipertensão… um contemplar da mulher

“Das mulheres, não vence aquela que corre atrás, nem a que foge, mas a que espera”

Elias Canetti (escritor inglês, Nobel em 1981)

As doenças crónicas são responsáveis por 80% da mortalidade, com as afeções do aparelho circulatório a assumirem as principais causas de mortalidade. A incidência e prevalência destas doenças é, na quase plenitude, por fatores de risco individuais e sociais, em que a hipertensão arterial (HTA) tem um papel de notoriedade. De acordo com o Global Burden of Disease, em 2016, em Portugal, cerca de 41% do total de anos de vida saudável perdidos por morte prematura poderia ter sido evitado se fossem suprimidos os principais fatores de risco modificáveis. Dos fatores de risco que mais contribuem para o total de anos de vida saudável perdidos pela população portuguesa, são relevantes os hábitos alimentares inadequados (16%), a hipertensão arterial (13%), o tabagismo (12%) e o índice de massa corporal elevado (12%). Em 2015, as doenças cérebro-cardiovasculares e vasculares cerebrais foram responsáveis por quase 30% das mortes ocorridas em Portugal, com um acréscimo de 0,5% relativamente a 2014, que nos deve obrigar a meditar.

A morte foi causada por doenças cerebrovasculares em 36,3% e por doença cardíaca isquémica em 22,6% do total dos óbitos por doenças do aparelho circulatório. Em 2014, o acidente vascular cerebral isquémico foi culpável por cerca de 20 mil episódios de internamento hospitalar. Por detrás – observem bem! – está a HTA… A HTA que afeta 42% dos portugueses e 40% das mulheres entre os 18 e os 90 anos; 37% das mulheres tinham antecedentes familiares de HTA. Mais ponderadas, as mulheres estão mais conscientes de que têm HTA, ao contrário dos homens, o que, juntamente com a sua singular relação com instituições de saúde desde a saúde materno-infantil, explica, possivelmente, o melhor controlo tensional nas mulheres. A taxa bruta de mortalidade foi de 313,2 por 100 mil habitantes, mais elevada para as mulheres (330,6) do que para os homens (293,9). E ainda dizem que as mulheres não morrem de doenças cardiovasculares…

A HTA é responsável por 1 em cada 5 mortes entre as mulheres, transparecendo uma carga de doença maior nas mulheres do nos homens. A HTA pode afetar as mulheres em todas as fases da vida, com características específicas e singulares em cada uma delas, arroladas aos fatores de risco concomitantes e predisponentes e, naturalmente, à estratégia de prevenção mais ajustada nas mulheres adultas e nas adolescentes e jovens; na sobrecarga ponderal e da diabetes que, entretanto, apareceu; na hipertensão durante a gravidez (atenção à HTA na gravidez!) e na sua conexão com os contracetivos orais e a reprodução assistida; no aleitamento, na menopausa (com ou sem terapêutica substitutiva hormonal) e na idade avançada; e, finalmente, nas cambiantes forçadas pela raça e etnia. A HTA é um companheiro para vida, numa relação intempestiva, trespassada por afeções diversas mas sempre presente, sempre atenta – tanto na prevenção como no tratamento. No dizer de Lope de Veja ” Nas mulheres, a resolução é difícil, a execução é fácil.

Temos consciência que a presença e a combinação de diversos fatores de risco favorecem o advento, o estabelecimento e a progressão da HTA e da afetação do coração, artérias, cérebro e rins e o consequente aumento do risco cardiovascular. Por isso, é crucial uma abordagem multifacetada e multifatorial da HTA nas mulheres (mas também nos homens!), evitando e controlando o peso, favorecendo uma dieta variegada, equilibrada e nutricionalmente adequada (com um aporte adequado de ácido fólico)¸ restringindo o sal, alguns tipos – mais nefastos – de gorduras e o excesso de açúcares de absorção rápida, promovendo o exercício físico regular e a limitação de álcool e restringindo – em tantos casos! – os analgésicos anti-inflamatórios.

Entretanto, neste Dia Mundial de Hipertensão, não omita a HTA, uma circunstância cardiovascular que é capaz de afetar as mulheres – e é delas que hoje estamos a falar! – em todas as fases da sua vida, concorrendo, de forma impressiva, para uma parte importante da morbilidade e mortalidade do sexo feminino. O tratamento – farmacológico ou não – é eficaz, com redução significativa da doença cardiovascular e melhoria da qualidade de vida. Até lá…

“O que fizeste para a mulher, isso ela pode esquecer,

mas nunca esquecerá aquilo que para ela não fizeste”.

André Maurois (escritor e ensaísta francês)

6 – Crescimento da Página do Núcleo no Facebook. As redes sociais têm um potencial menosprezado no que se refere à educação médica; o risco cardiovascular total, irrompe como um imperativo que deve ser avaliado, que deve ser relacionado e que ser encarado. Vamos comunicar com todos.

7 – Participação do Núcleo nas novas orientações clínicas da DGS sobre dislipidemias e fibrilhação auricular.

8 – Realização do primeiro estudo epidemiológico promovido pelo Núcleo: Estudo Fibrilação Auricular na enfermaria de Medicina Interna (FAMINTA).

9 – Participação com outras Sociedades, em documento de consenso sobre Doença Arterial Periférica

Regulamento

O NEPRV adopta o Regulamento dos Núcleos de Estudo da SPMI, aprovado em reunião da Direcção em 14 de Junho de 2017.

Inscrições

Inscrição no Núcleo



















NOTA INFORMATIVA:

A inscrição no Núcleo destina-se exclusivamente a sócios da SPMI

Declaração de aceitação

Declaro que as informações e os dados por mim prestados no presente formulário são completos, precisos e verdadeiros, comprometendo-me a informar a SPMI – Sociedade Portuguesa de Medicina Interna caso ocorra alguma alteração aos mesmos.

Autorização para o tratamento de dados pessoais

Autorizo o tratamento dos meus dados pessoais acima identificados, pela SPMI nos termos da lei (em particular, a Lei n.º 67/98, de 26 de Outubro - Lei de Proteção de Dados Pessoais), no âmbito das suas atividades, tendo em vista as finalidades de gestão dos programas de formação e atividades relacionadas com a SPMI. Nos termos da lei, fui informado(a) que me é garantido, enquanto titular dos dados pessoais tratados, o direito de acesso, retificação e eliminação dos meus dados pessoais tratados no âmbito da presente base de dados. Para o efeito, caso pretenda aceder, retificar ou eliminar os meus dados pessoais, deverei contatar website@spmi.pt

Eventos Futuros

  • 1ª Reunião do Núcleo em 2019
    Data: 7 de Dezembro
    Local: Hotel Vila Galé Ericeira
    Mais Informações: AQUI

Eventos Passados

Saudação na 1ª Jornada do Núcleo de Estudos de Medicina Obstétrica

Dra. Inês Palma dos Reis e, por si, Núcleo de Estudos de Medicina Obstétrica da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

Em meu nome pessoal e do Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular quero agradecer o convite e saudar todos os colegas presentes. Este convite, esta Reunião foram o motivo para evocar Antonio Machado y Ruiz: “Caminhante, não há caminho. Faz-se o caminho ao andar”. Continuemos, pois, a nossa marcha… sabendo das suas encruzilhadas e, em alguns casos, dos escolhos também…

Alguns deles acercam-se em alguns dos Temas hoje aqui apresentados. Em muitas deles nós, médicos, julgamos ter a certeza do que podemos – do que devemos –  fazer mas, por vezes, a evidência escasseia, os dados são incongruentes e as opiniões, ocasionalmente, delongam entre nós, deixando germinar conceitos e certezas de quem tem dificuldade de lidar com perplexidades. As emergências obstétricas – “A Grávida na Urgência – não são férteis em evidências e, consequentemente, sofrem de um relevo limitado em reuniões científicas e em revistas médicas. Que o Núcleo irrompa desta realidade com força renovada… e que contribua – da forma que só o Internista sabe – para que a abordagem de um conjunto de situações de emergências obstétricas possam ser, periodicamente, revisitadas e repensadas.

Apesar de tudo, reconheçamos, a Obstetrícia é, regra geral, uma área da saúde, em que, na grande maioria das gravidezes e partos “tudo parece correr bem” (mesmo sem a intervenção dos profissionais de saúde). No entanto, as complicações graves e as situações mais complicadas existem num número não desprezível de circunstâncias – num ambiente demográfico com o aumento iterado da idade e crescente prevalência da obesidade, diabetes e hipertensão arterial das parturientes -, o que torna imperativo um maior conhecimento sobre o diagnóstico e tratamento destas situações. Um exemplo: a diminuição marcada na mortalidade materna e perinatal – apesar das morbilidades emergentes – vão, certamente, a mais longo prazo acarretar, complicações tanto na mulher-mãe – que tem na gravidez a sua primeira prova de esforço – como nos seus descendentes.

Este é o caminho que temos de percorrer… Novos condiscípulos virão ao longo do trajeto. Por agora, temos as complicações (agudas) da gravidez e do parto, que colocam, tantas vezes, em risco a mãe e/ou o feto, e cuja resolução requer uma resposta quase imediata da Equipa de Saúde, de modo a garantir um desfecho que se quer favorável. Este é o sentido da nossa prática face à “Grávida na Urgência”, estando certo que o gerenciamento de muitas destas situações requer a colaboração interdisciplinar e a comunicação entre médicos, outros profissionais, parturiente e família, com o envolvimento de todos na equipa de Urgência.

Finalmente, não esqueçamos a imprescindibilidade da melhor organização e estrutura das Urgências e do seu correto encaminhamento na Estrutura Hospitalar. As facilidades de contato, a disponibilidade atempada dos profissionais de saúde, a acessibilidade aos materiais clínicos e a garantia de sua exequibilidade são cruciais para o sucesso da gestão da grávida na urgência.

Pois, felicidades. É com grande pesar que não estou convosco. O que eu aprenderia, estou certo! Termino como comecei… citando Goethe: “Há pessoas que nunca se perdem porque nunca se põem a caminho”. Vamo-nos, pois, pôr a caminho. E muito obrigado!

Pedro Marques da Silva

Prémios e Bolsas – Regulamentos:

Prémios e Bolsas – Atríbuidos:

Publicações de Interesse:

  • Guia prático para a utilização dos inibidores da PCSK9 em Portugal – Consulte AQUI
  • Risco Vascular em 2016/17: Uma síntese do Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular da SPMI 

Publicações de Sócios:

Investigação:

Registos:

Recomendações Clínicas: