Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral

O Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral da Sociedade Portuguesa da Medicina Interna (SPMI) dedica-se ao estudo da doença vascular cerebral e é constituído por associados da mesma inscritos neste Núcleo de Estudos.

Coordenadora – Luísa Fonseca
Coordenadora adjunta –
Ana Paiva Nunes
Secretariado –
Teresa Fonseca, Guilherme Gama, Jorge Poço, Luísa Rebocho, Carmélia Rodrigues, Tiago Gregório, Fátima Grenho, Paulo Chaves, Vítor Fagundes
Conselho Consultivo – Maria Teresa Cardoso, António Oliveira e Silva, Ivone Ferreira, Sebastião Geraldes Barba

Contactos: nedvc@spmi.pt

Conheça as informações úteis do Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

História

Objetivos

1- Estabelecer contacto regular entre os associados e promover reuniões para intercambio de informações no âmbito da doença vascular cerebral.
2- Contribuir para a constituição de uma base de dados Nacional, necessária para análises epidemiológicas.
3- Contribuir para a investigaçao e para o estabelecimento de consensos no âmbito do diagnóstico, do tratamento e da prevenção.
4- Estabelecer contactos e esquemas de colaboração de interesse mutuo, com outras estruturas actuantes no mesmo campo.
5- Fortalecer as actividades da SPMI.
6- Criar condições para a realização destes objectivos.

Plano de Ação

# Ação a nível da Medicina Geral e Familiar
Diagnóstico de FA e necessidade de Hipocoagulação
Prevenção secundária – Valores alvo para o AVC nos fatores de risco- HTA, Lipídeos, DM

# Ação  a Nível do Médicos dentistas
Divigulgação de normas de suspensão e reintrodução de anticoagulação oral em doentes submetidos  a tratamentos dentários

# “Bolsa de Investigação no AVC” para 2019 com prazo de candidatura até 31 de Março de cada ano.

# Manutenção realização de cursos de formação – Via verde AVC/ Tratamento fase aguda AVC

# Intervenção na Sociedade no Dia Nacional do AVC e Dia Nacional do AVC

# Organização de cursos e-learning

# Participação no XXIII Congresso Nacional de Medicina Interna

# Organização 20º Congresso do NEDVC

Regulamento

1- O NEDVC é constituído por:
a) Sócios da SPMI promotores da constituição do Núcleo ( Sócios fundadores).
b) Sócios da SPMI que se mostrem interessados em colaborar em actividades do Núcleo e que para tal se proponham junto do seu secretariado. A sua inclusão no NEDVC deverá ser ratificada em plenário.

2- São órgãos do Núcleo:

  1. a) Plenário.
    É constituído por todos os sócios do NEDVC
    É convocado anualmente e sempre que o Secretariado do NEDVC ou a direcção da SPMI considerem necessário.
    Compete-lhe tomar as decisões gerais relativas ao seu funcionamento, ratificar a inclusão de novos sócios e fazer eleger de dois em dois anos o Secretariado.
    Pode ser convocado extraordinariamente por mais de 20% de sócios efectivos do NEDVC, sendo as decisões alcançadas consideradas vinculativas apenas se estiverem presentes 50% mais 1 sócios efectivos.
  2. b) Secretariado.
    É eleito entre os sócios do NEDVC.
    É constituído por cinco elementos, sendo um deles o coordenador.para verificar se ainda se mantém assim Este assegura a ligação do NEDVC com a Direcção da SPMI.
    Assegurará a gestão, administração e representação do Núcleo.
    Coordena as actividades do Núcleo com a Direcção da SPMI.
    Faz divulgar periodicamente informações sobre a actividade desenvolvida junto dos sócios do Núcleo.
    Implementa a organização, com a periodicidade julgada adequada, reuniões de carácter cientifico onde são apresentados trabalhos realizados no âmbito da doença vascular cerebral.
  3. c) Grupos de trabalho
    São agrupamentos de sócios do NEDVC que se proponham a actividades específicas no âmbito da doença vascular cerebral.

Têm autonomia cientifica, devendo comunicar os seus projectos, iniciativas e conclusões alcançadas ao Secretariado.
A convite do NEDVC podem participar nos seus trabalhos científicos não sócios da SPMI, cuja colaboração seja considerada, por um dos órgãos do Núcleo, importante para o cumprimento dos seus objectivos.

Inscrição

Inscrição no Núcleo


















NOTA INFORMATIVA:

A inscrição no Núcleo destina-se exclusivamente a sócios da SPMI

Declaração de aceitação

Declaro que as informações e os dados por mim prestados no presente formulário são completos, precisos e verdadeiros, comprometendo-me a informar a SPMI – Sociedade Portuguesa de Medicina Interna caso ocorra alguma alteração aos mesmos.

Autorização para o tratamento de dados pessoais

Autorizo o tratamento dos meus dados pessoais acima identificados, pela SPMI nos termos da lei (em particular, a Lei n.º 67/98, de 26 de Outubro - Lei de Proteção de Dados Pessoais), no âmbito das suas atividades, tendo em vista as finalidades de gestão dos programas de formação e atividades relacionadas com a SPMI. Nos termos da lei, fui informado(a) que me é garantido, enquanto titular dos dados pessoais tratados, o direito de acesso, retificação e eliminação dos meus dados pessoais tratados no âmbito da presente base de dados. Para o efeito, caso pretenda aceder, retificar ou eliminar os meus dados pessoais, deverei contatar website@spmi.pt

Eventos Futuros:

Curso de Acidente Vascular Cerebral – Abordagem na Fase Aguda
Data:
6 e 7 de março de 2020

21º Congresso Nacional do NEDVC
Data: 26 a 28 Novembro de 2020

22º Congresso Nacional do NEDVC
Data: 26 e 27 de Novembro de 2021

23º Congresso Nacional do NEDVC
Data: 25 e 26 Novembro de 2022

“Prémio AVC e Investigação Clínica” – Estágio de 3 meses em Oxford

Regulamento do Prémio – PDF | 62 Kb

“Prémio AVC e Investigação Básica” – Estágio de 3 meses em Madrid

Regulamento do Prémio  – PDF | 133 Kb

“Prémio de Mérito AVC Inovação e Dinamismo” – Estágio de 3 meses em Barcelona

Regulamento do Prémio – PDF | 107 Kb

Bolsa de Investigação do NEDVC – Normas de candidatura brevemente disponíveis

PRÉMIOS 2019:

Menções Honrosas

CC05 – Argonauta- Na Resposta Inflamatória Pós-Isquémia
João Pedro Vicente Pais, Marta Pereira, Cláudia Saraiva, Liliana Bernardino, Ana Clara Cristóvão, Raquel Ferreira.
Centro de Investigação em Ciências da Saúde – Universidade da Beira Interior (CICS-UBI)

CC08 – Doentes com Fibrilhação Auricular Detectada pelo Registador de Eventos Implantável – Caracterização dos Doentes, tratamento e Follow-up
Susana Escária, Sílvia Lourenço, Vasco Neves, Sara Barata, Tânia Emerenciano, Cármen Corzo, Pedro Dionísio, José Aguiar, Conceição Barata, Luísa Rebocho
Medicina2 / Unidade de AVC / Serviço de Cardiologia, Hospital do Espírito Santo de Évora.

CC16 – Avaliação da Implementação de um Protocolo de Via Verde de AVC
Maria Beatriz Santos, Magda Garça, Paulo Ávila
Serviço de Medicina Interna, Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira, Açores

CC17 – Indicadores de Qualidade no Acidente Vascular Cerebral (AVC): Realidade de uma Unidade de AVC
Andreia Diegues, Rita Silva, Tiago Ceriz, Sérgio Alves, Miguel Alves, Ana Rita Lopes, Filipa Rodrigues, Elisa Tomé, Jorge Poço, Ilda Matos, Eugénia Madureira
Unidade Local de Saúde do Nordeste

Prémio de Mérito de Inovação e Dinamismo – Ferrer
CC10 – Fibrinólise Após 4h30 do Inicio dos Sintomas de AVC – Casuística de 7 anos de uma Unidade de AVC
Sara Nicolau, Bruno Maia, Ana Paiva Nunes
Unidade Cerebrovascular, Hospital de São José, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central

Prémio AVC Investigação Básica
CC11 – Impacto da Terapêutica de Reperfusão no Outcome de Doentes Nonagenários com AVC Isquémico
Clara Gomes, Vanessa Barcelos, Verónica Guiomar, Mariana Pintalhão, Jorge Almeida, Luísa Fonseca
Serviços de Medicina Interna, Hospital do Divino Espírito Santo, Açores | Serviço de Medicina Interna / Unidade de AVC, Centro Hospitalar Universitário de São João

Prémio de Investigação Clínica
CC12 – Trombectomia Mecânica e Independência Funcional: Comparação dos Ensaios Clínicos com o Mundo Real – análise de 3 anos
Ana Ferreira Pacheco, Ana Silva Rocha, Francisco Pombo, Dalila Parente, Anabela Silva, André Paupério, Helena Vilaça, Inês Cunha, Luís Nogueira, João Rocha, Vítor Fagundes, Mari Mesquita
Serviço de Medicina Interna, Centro Hospitalar Tâmega e Sousa

PRÉMIOS 2018:

Prémio de Investigação Clínica
CC22
Determinantes do atraso Pré-hospitalar para a terapêutica intravenosa para o AVC isquémico agudo
Serviço de Medicina Interna – Hospital do Litoral Alentejano
Isabel Taveira, Sofia Sobral, Tiago Fiúza, Rui Seixas, Cláudia Vicente, Hipólito Nzwalo, José Sousa e Costa

Prémio de Investigação Básica
CC8
Prevalência do bloqueio interauricolar no AVC isquémico de etiologia indeterminada
Unidade do Acidente Vascular cerebral – Hospital Pulido Valente – Centro Hospitalar e Universitário de Lisboa Norte
Ana de Carmo Campos, Sara Sarmento, Mariana Alves, Marco Narciso, Nuno Lousada, Teresa Fonseca

Prémio de Mérito
CC6
Acidente Vascular cerebral isquémico em doentes hipocoagulados: anticoagulantes diretos vs. Antagonistas da vitamina K
Serviço de Medicina Interna/Unidade de AVC – Centro Hospitalar e Universitário de S. João
Sofia Tavares, Luís Flores, Inês Ferreira, Cristina Correia, Jorge Almeida, Luísa Fonseca, Paulo Chaves

Menções Honrosas
CC4
Avaliação d outcome de doentes com acidente vascular cerebral isquémico e estenose intracraneana
Serviço de Medicina Interna/Unidade de AVC – Centro Hospitalar e Universitário de S. João
Joana Pereira, Vanessa Chaves, Verónica Guiomar, Paulo Chaves, Guilherme Gama, Jorge Almeida, Luísa Fonseca

CC9
Hemorragia Intracerebral: medidas de performance clínica nos doentes int4rnados numa unidade de AVC
Serviço de Medicina Interna / Unidade de AVC – Centro Hospitalar e Universitário de S. João
Vanessa Meireles Chaves, Joana Pereira, Verónica Guiomar, Mariana Pintalhão, Jorge Almeida, Luísa Fonseca

CC10
Tempos de transporte de doentes para trombectomia mecânica
Unidade Cerebrovascular – Centro Hospitalar e Universitário de Lisboa Central – Hospital de S. José
Teresa Salero, Sérgio Menezes Pina, Patrícia Ferreira, Ana Paiva Nunes

CC11
AVC Isquémico com transformação hemorrágica: existem diferenças entre as transformações após trombólise e/ou trombectomia e as transformações hemorrágicas espontâneas?
Unidade Funcional 4 – Departamento de Med. Interna do Hospital de S. Francisco Xavier – Centro Hospitalar  Lisboa Ocidental
Sérgio Brito, Mariana Martins, Marlene Saraiva, Rita Vaz, Nuno Ferreira, Teresa Mesquita, Luís Campos

CC23
Trombólise e Trombectomia na Unidade de AVC de um Hospital distrital
Hospital de Santa Luzia Viana do Castelo, Unidade Local de Saúde de Alto Minho
Pedro Pinto, Rosana Maia, Francisca Guimarães, Duarte Silva, Irene Miranda, Emília Guerreiro, Diana Guerra, Carmélia Rodrigues

Doença Vascular Cerebral e COVID-19 – Protocolo de atuação

Preâmbulo
A pandemia por COVID-19 está a condicionar as nossas vidas a nível pessoal, familiar, social e profissional. Perante os desafios que se colocam, e face às especificidades que a Doença Vascular Cerebral apresenta nas suas diferentes fases, urge adaptar os protocolos de atuação a esta nova realidade.

Embora o sistema de saúde esteja focado no controlo e tratamento da pandemia por COVID-19, é importante não descurar o tratamento das pessoas que continuam a ter as restantes patologias e, por isso, a necessitar de recorrer à assistência médica e aos Serviços de Urgência. Contudo, constatamos que a maioria dos pacientes idosos, diabéticos, hipertensos, obesos e com insuficiência cardíaca consideram os Hospitais como locais potencialmente não seguros e, por isso, evitam aí deslocar-se.

Mas, são estes os doentes que têm maior risco de AVC e de AVC’s mais graves. Por outro lado, a divisão do Serviço de Urgência, enfermarias e unidades diferenciadas em áreas COVID e sem-COVID tem também impacto na forma como os doentes com AVC agudo são orientados em contexto de Via Verde do AVC(VVAVC).

Esta é a realidade e, embora com heterogeneidade entre Centros, tem-se verificado uma redução no número de admissões em Unidade de AVC e de tratamentos de reperfusão em relação ao período homologo do ano anterior. Os tempos entre o início dos sintomas e a entrada no Hospital e os tempos porta-agulha podem também sofrer agravamento (seguramente podem ser alargados). Esta não é uma realidade apenas de Portugal. Tem sido descrita em vários centros europeus e norte-americanos. Num inquérito a 426 especialistas em AVC de 55 países, apenas 1 em cada 5 referem que os doentes com AVC estão a receber o tratamento habitual. A incapacidade de assegurar os cuidados adequados aumenta o risco de morte e diminui a hipótese de uma boa recuperação.

É essencial a adaptação a esta nova situação, não esquecendo que o AVC continua a ser uma emergência médica e que “tempo é cérebro”. Neste contexto específico o tempo não deve ser a única varável e a segurança do paciente e profissionais de saúde deve ser prioritária (“Protected Code Stroke” tal como definido pela American Heart Association).

O AVC pode também surgir como potencial complicação da infeção SARSCoV2: em duas séries de casos é descrito que 36% dos pacientes com COVD-19 têm complicações neurológicas, sendo as mais comuns tonturas, cefaleia ou encefalopatia;o AVC como complicação direta da COVID-19 aparecerá em 5.9% dos pacientes com uma mediana de 10 dias após o início de sintomas; e ainda, recentemente, no NEJM o relato de cinco casos, no período de 2 semanas, de admissões por AVC com oclusão de grande vaso em jovens (< 50 anos) todos com COVID-19.

No sentido de ajudar na adaptação a esta nova realidade e na tentativa de esclarecer alguns pontos dúbios, o NEDVC elaborou este protocolo, de acordo com as últimas orientações internacionais. Sendo esta uma circunstância em constante atualização tentaremos que, sempre que haja alterações, as mesmas sejam incorporadas neste protocolo.

Em concreto, devemos reforçar as campanhas de consciencialização da população e adaptar a abordagem do AVC à presente realidade. Esta adaptação pode estruturar-se em três momentos: pré-hospitalar, hospitalar e pós-hospitalar.

Protocolo de atuação

Campanhas de sensibilização da população

Necessidade de sensibilizar a população para os sinais de alerta de AVC e para o que deve ser feito em caso de suspeita de AVC. Realçar que os hospitais continuam a manter ativos os circuitos para tratamentos de doentes sem COVID19.
Apesar da necessidade de confinamento, perante sinais ou sintomas suspeitos de AVC não deixar de contactar o 112, ativando a Via Verde do AVC para referenciação correta e atempada aos serviços de emergência, de modo a permitir realização de terapêutica de fase aguda adequada, minimizando as sequelas. Não esquecer, a mensagem essencial, que o AVC é uma emergência médica.
Alertar para a necessidade de manutenção de terapêutica prescrita (antihipertensores, estatinas, antitrombóticos, terapêutica para diabetes), salientando que não há indicação para suspender qualquer das terapêuticas previamente prescritas, sem indicação de médico assistente.

Pré Hospitalar

Idealmente deve ser realizada notificação pré-hospitalar para preparação da equipa da VVAVC. Extremamente importante que a equipa do pré-hospitalar indague e obtenha o contacto telefónico de um familiar. Este deve ser registado na ficha de admissão do doente, de modo a permitir o contacto com a família sempre que necessário, quer para esclarecimento de história clínica, quer para prestar informações aos familiares, quer em caso de necessidade de autorização para tratamento ou ato médico.
Aquando da notificação, além dos sinais de ativação da Via Verde (FAST), da hora de instalação de défices, dos antecedentes do doente, fazer referência a possíveis sintomas de infeção por SARS-CoV-2 (febre, tosse, dispneia, mialgias, odinofagia, dor abdominal, náuseas/vómitos, diarreia, anosmia, disgeusia …) nos últimos 7dias, possível contacto com doente COVID-19+ nos últimos 14dias ou estado conhecido de COVID-19 (dados fundamentais para determinar a probabilidade pré-teste da COVID-19).

Hospitalar

Todos os profissionais de saúde, envolvidos no tratamento de doentes com AVC, devem fazê-lo de acordo com as Guidelines e recomendações de tratamento em vigor adaptando-se às circunstâncias atuais.
O tempo é um objetivo, mas não deve ser uma obsessão (time is a goal not an expectation), logo prudência na atuação.
Atuar de acordo com Protected code stroke: todos os doentes da VVAVC são, à partida (pelo menos enquanto história clínica não totalmente esclarecida, avaliação de possíveis contactos com doentes COVID-19 e exclusão de infeção por SARS-CoV-2), suspeitos COVID-19, o que implica cumprimento de medidas de isolamento de gotícula e de contacto através da utilização de equipamento de proteção individual adequado (óculos, máscara, luvas, bata descartável) na avaliação do doente. Colocação de máscara cirúrgica, sempre que possível, desde que doente sem entubação orotraqueal ou nasotraqueal. Dada a necessidade de gestão criteriosa dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), as equipas deverão ser reorganizadas, devendo um só profissional equipar-se para avaliar o doente, de preferência o mais diferenciado na abordagem ao doente.
Face à dificuldade na colheita de dados clínicos, quer pela condição do doente, quer pela impossibilidade de estarem familiares presentes no SU, um dos elementos da equipa da VVAVC deverá ficar com a tarefa de contactar os familiares e colher dados relativamente à hora de instalação dos sintomas e sua caracterização, bem como antecedentes e medicação do doente, assim como, questões relacionadas com possível infeção por SARS-CoV-2.
Introduzir questões relacionadas com: possível sintomatologia de infeção por SARS-CoV-2 (tosse, febre, dispneia, mialgias, odinofagia, dor abdominal, náuseas/vómitos, diarreia, anosmia, disgeusia …) nos últimos 7dias e possível contacto com doente COVID-19 nos últimos 14 dias, na abordagem inicial do doente da VVAVC, de modo a identificar os doentes com alta probabilidade de infeção por SARS-CoV2, avaliando nestes doentes a premência/possibilidade de realização de TC torácico aquando da realização de TC cerebral, direcionando o doente para área apropriada.
A realização do teste diagnóstico de infeção por SARS-CoV-2 não deve atrasar a administração de tratamento de fase aguda (trombólise e/ou trombectomia), se necessário poderá ser protelada realização do referido teste. Sempre que possível e disponível deverá ser realizar o teste molecular rápido.
Devem adotar-se cuidados específicos durante a realização dos exames de imagem, de acordo status COVID-19 (suspeito/positivo/não suspeito).
Na trombectomia mecânica utilizar preferencialmente a sedação consciente, versus anestesia geral, dados os riscos de aerossolização inerente à entubação orotraqueal, devendo o doente, sempre que possível, estar com máscara cirúrgica. Se se antevê necessidade de ventilação invasiva, deve antecipar-se a entubação orotraqueal, precavendo a sua realização na sala de angiografia, evitando também a ventilação assistida com ambu.
Necessidade de reformulação de serviços de urgência e do circuito do doente dentro do SU adaptados à circunstância de cada Centro, incluindo a reorganização do circuito do doente com Via Verde do AVC para doentes suspeitos ou com COVID-19 e circuitos independentes para sem COVID-19.
Nos centros com neurorradiologia de intervenção que funcionam em regime de prevenção rotativa, deve, sempre que possível, reforçar-se as equipas, alargando o horário de realização de procedimentos em cada centro, de modo a diminuir a necessidade de transportes inter-hospitalares.
A telemedicina, sempre que possível deve ser utilizada, de modo a minimizar transferências desnecessárias.
Se o doente tiver infeção confirmada ou suspeita elevada devem ser adotados os cuidados adequados e o doente seguir a via intra-hospitalar destinada a doentes COVID19 com admissão em enfermaria ou unidade dedicada de acordo com o nível de cuidados necessário. Nos casos suspeitos, o doente deverá ficar preferencialmente em área adequada ao nível de cuidados necessários (“área tampão”) até o resultado do teste ser conhecido, mantendo
apoio de equipa de AVC. Os doentes não suspeitos deverão ser internados, como anteriormente, em área dedicada.
Realizar gestão criteriosa das vagas de nível III (doentes com situações mais graves de enfarte cerebral, hemorragia cerebral ou hemorragia subaracnoideia).
Não esquecer que os doentes com AVC podem desenvolver infeção por SARSCoV-2 no internamento. Por isso, se surgir febre ou sintomas respiratórios, como acontece frequentemente nestes doentes noutras circunstâncias, devem ser avaliados em conformidade
A avaliação etiológica no internamento deverá ser mantida, de modo a permitir a realização de correta prevenção secundária

Pós- Hospitalar

Reforço da necessidade de adesão às medidas de prevenção secundária e identificação das dificuldades na sua implementação.
Retomar gradualmente o normal funcionamento das consultas, mesmo com a possível necessidade de manutenção de consultas “não presenciais”. Determinante a realização de exames auxiliares de diagnóstico (em alguns casos suspensos no decurso da pandemia), de modo a ser possível a realização de consulta com possibilidade de tomada de decisão e ajustes terapêuticos.
É imperioso que sejam feitas todas as diligências de modo a manter terapêutica adequada após fase aguda, nomeadamente o acesso a cuidados de reabilitação, tanto nos serviços hospitalares, rede nacional de cuidados
continuados e em ambulatório, de modo a minimizar o efeito desta pandemia no resultado funcional dos doentes.

Conclusão

Todo este contexto irá ter, certamente, reflexos nos cuidados prestados aos doentes com doença vascular cerebral e consequentemente no seu prognóstico. Só daqui a algum tempo será possível avaliar o impacto de toda esta situação, mas devemos documentar este potencial impacto, quer a nível de Centro e a nível Nacional.

Referências
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Lyden P. AHA/ASA Stroke Council Leadership. Temporary emergency guidance to US stroke centers during the COVID-19 pandemic [published online April 1, 2020]. Stroke 2020, doi.org/10.1161/STROKEAHA.120.030023 . [Epub ahead of print]

Baracchini C, Pieroni A, Viaro F, Cianci V, Cattelan AM, Tiberio I, Munari M, Causin F. Acute stroke management pathway during Coronavirus-19 pandemic. Neurol Sci. 2020 Apr 9. doi:10.1007/s10072-020-04375-9. [Epub ahead of print]

Thomas J. Oxley, M.D. J. Mocco, M.D. Shahram Majidi, M.D. Christopher P. Kellner, M.D. Hazem Shoirah, M.D. I. Paul Singh, M.D. Reade A. De Leacy, M.D. Tomoyoshi Shigematsu, M.D. Travis R. Ladner, M.D. Kurt A. Yaeger, M.D. Maryna Skliut, M.D. Jesse Weinberger, M.D. Neha S. Dangayach, M.D. Joshua B. Bederson, M.D. Stanley Tuhrim, M.D. Johanna T. Fifi, M.D- Large-Vessel Stroke as a Presenting Feature of Covid-19 in the Young- [published online April 28, 2020); NEJM.2020 DOI:10.1056/NEJMc2009787

Matthew S. Smith, MD; Jordan Bonomo, MD; William A. Knight IV, MD; Charles J. Prestigiacomo, MD; Christopher T. Richards, MD, MS; Evan Ramser, DO; Opeolu Adeoye, MD; Stuart Bertsch, MD;  Peyman Shirani, MD; Achala Vagal, MD; Carl J. Fichtenbaum, MD; Anne Housholder, MD, MPH; Pooja Khatri, MD; Dawn O. Kleindorfer, MD; Joseph P. Broderick, MD; Aaron W. Grossman , MD, PhD. Endovascular Therapy for Patients With Acute Ischemic Stroke During the COVID-19 Pandemic. [published online April 30, 2020]; Stroke. 2020;51:00-00. DOI: 10.1161/STROKEAHA.120.029863.) [Epubahead of print]

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