Internamentos sociais sobem 20% e custam 351 milhões
Os internamentos sociais no Serviço Nacional de Saúde (SNS) aumentaram cerca de 20% num ano, com 2807 camas hospitalares ocupadas por doentes que já tiveram alta clínica, mas permanecem internados por falta de resposta social. Este valor representa cerca de 14% do total de internamentos nos hospitais públicos.
Estes dados constam da 10ª Edição do Barómetro de Internamentos Sociais, iniciativa da Associação Portuguesa de Administradoras Hospitalares (APAH), que conta com o apoio da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP), que contou com a participação de 41 unidades hospitalares, 97% do total do SNS.
Segundo este barómetro os internamentos inapropriados custam 351 milhões de euros por ano ao Estado, mais 63 milhões do que na edição anterior. Lisboa e Vale do Tejo e a Região Norte concentram 85% destes internamentos. Ao todo, foram contabilizados 439.871 dias de internamento indevido entre março de 2025 e março de 2026.
Os serviços de medicina interna são claramente os mais pressionados pelos internamentos indevidos (46% do total). “Os internamentos inapropriados, por ausência de resposta social, representam um fator de risco adicional para eventos adversos, como infeções associadas aos cuidados de saúde, compromete a eficiência operacional das unidades hospitalares e limita a capacidade de resposta dos serviços de urgência devido à dificuldade na drenagem de doentes” afirma Luís Duarte Costa, Presidente da SPMI.
O internamento indevido atinge pessoas de ambos os sexos, com incidência em doentes com mais de 65 anos (72%).
Para Luís Duarte Costa “o aumento da capacidade da Rede Nacional de Cuidados Continuados (RNCCI), das Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI) e a expansão do Serviço de Apoio Domiciliário, são determinantes para reduzir a permanência hospitalar após alta clínica, permitindo acelerar a integração dos utentes em respostas adequadas, libertar camas hospitalares e aumentar a eficiência do SNS”.
A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna tem vindo a alertar para este problema no SNS e reforça a necessidade da identificação de determinantes sociais na saúde (DSS), nomeadamente aquando do internamento. “A SPMI e a sua congénere espanhola dedicaram a 4ª Cimeira Ibérica precisamente ao tema «O Impacto dos Determinantes Sociais da Saúde». É preciso perceber e identificar a importância dos determinantes sociais na saúde como fatores de risco para a saúde e de agravamento do prognóstico da doença” afirma o Presidente da SPMI.
Os internamentos sociais são um problema com elevado grau de complexidade que exige uma resposta articulada entre diversas entidades, pois só através da cooperação entre saúde, segurança social, justiça e comunidade é possível garantir soluções dignas e eficazes para cada pessoa e permitir uma maior eficiência dos hospitais.
Consulte aqui a Infografia da 10ª Edição do Barómetro de Internamentos Sociais
Veja aqui a notícia sobre “O Impacto dos Determinantes Sociais da Saúde”
(23/04/2026)




