VII Network Immunology Meeting em Abrantes coloca o doente no centro de uma abordagem multidisciplinar

O VII Network Immunology Meeting realiza-se a 19 de setembro, em Abrantes, com o objetivo de aproximar profissionais de diferentes centros e especialidades envolvidos no acompanhamento de pessoas com doenças autoimunes. Sob o lema “Uma doença. Múltiplas especialidades. Um objetivo comum: o doente.”, o encontro, da responsabilidade de André Real, propõe uma manhã dedicada à partilha de conhecimento, discussão de casos e reflexão sobre a melhor forma de acompanhar doentes com doença autoimune multissistémica.

“O objetivo do Network mantém-se desde o início: juntar pessoas que trabalham com doença autoimune, de diferentes centros e diferentes áreas, e pô-las a falar umas com as outras”, explica André Real. A necessidade desta aproximação prende-se, desde logo, com a complexidade destes doentes, que raramente apresentam problemas confinados a um único órgão. “Muitas vezes têm manifestações pulmonares, renais, neurológicas, cutâneas, entre outras, e passam por várias especialidades ao longo do seu percurso”, afirma.

Para o responsável pelo encontro, um dos grandes desafios está precisamente em evitar uma visão fragmentada da doença. “O desafio é conseguirmos olhar para o doente como um todo e não como um conjunto de problemas separados.” É neste princípio que assenta o lema escolhido para esta edição, que André Real considera resumir “muito bem aquilo que queremos que seja o NIM”.

O programa foi construído com uma forte componente prática e a partir de problemas que surgem no quotidiano clínico. A manhã começa com uma sessão dedicada à Imagiologia, procurando responder a uma questão central: “quando é que uma imagem realmente muda aquilo que fazemos com o doente?”. Seguem-se as perspetivas da Pneumologia e da Nefrologia, com a abordagem da doença pulmonar intersticial associada às doenças autoimunes e do envolvimento renal, incluindo a discussão sobre quando é necessário intensificar a investigação e o tratamento.

O programa prossegue com a abordagem do doente autoimune crítico e da sua relação com os Cuidados Intensivos. A Enfermagem terá também um espaço próprio, numa perspetiva de que uma verdadeira abordagem multidisciplinar não pode deixar de fora os profissionais que acompanham os doentes de forma próxima ao longo do seu percurso, nomeadamente no Hospital de Dia e durante as diferentes terapêuticas.

No final, André Real pretende colocar uma questão que considera transversal às várias sessões: “quem integra o doente autoimune multissistémico?”. “Podemos ter excelentes especialistas de órgão, mas alguém tem de juntar as diferentes peças”, sublinha.

A partilha entre os diferentes centros é, para o responsável, uma das razões de ser do Network. “Para mim, o Network só faz sentido se não terminar quando acaba a reunião.” Mais do que proporcionar atualização científica através de palestrantes, o encontro pretende criar relações que possam ter continuidade na prática clínica. “Há outra componente que valorizo muito: conhecermos quem está do outro lado”, explica André Real, defendendo a importância de saber “quem trabalha em doença autoimune em Aveiro, Coimbra, Leiria, Santarém, Castelo Branco ou noutros centros” e de criar contactos que possam ser úteis perante casos clínicos mais complexos.

As diferenças entre centros podem, neste contexto, constituir uma mais-valia. “Nem todos fazemos tudo da mesma maneira, nem todos os centros têm os mesmos recursos ou a mesma experiência. Essa diferença é uma riqueza se conseguirmos partilhá-la”, afirma.

A discussão de casos clínicos será outro dos momentos centrais do encontro. “Interessa-me perceber não apenas o que outro colega faria, mas porque é que o faria”, explica. Mais do que conhecer uma determinada decisão clínica, o objetivo é compreender o raciocínio que lhe está subjacente. “É dessa discussão do raciocínio clínico que muitas vezes retiramos aquilo que depois levamos para a nossa prática”, acrescenta.

O responsável sublinha ainda a importância de reconhecer os limites do conhecimento individual e de procurar apoio noutras equipas. “Dizer ‘não sei’ ou pedir a opinião de outro centro não é uma fragilidade. Nestes doentes, muitas vezes, é exatamente aquilo que devemos fazer.”

Ao longo das várias edições, o Network tem vindo a consolidar uma rede de profissionais que se conhecem melhor e que podem manter a colaboração para além dos encontros. “Acho que o principal resultado é termos vindo a criar uma rede que progressivamente se conhece melhor”, considera André Real. Essa proximidade pode traduzir-se em gestos simples, mas com impacto concreto na prática clínica: “Se uma reunião fizer com que dois colegas de hospitais diferentes passem a discutir casos entre si e isso melhorar a orientação de um doente, já criou valor.”

O convite para a edição de Abrantes é dirigido a um grupo alargado de profissionais. “Não é uma reunião apenas para internistas ou para quem se dedica exclusivamente às doenças autoimunes”, esclarece André Real. A organização espera contar com médicos de diferentes especialidades, profissionais dos Cuidados de Saúde Primários, enfermeiros, farmacêuticos e profissionais de laboratório. “Todos têm alguma coisa para acrescentar”, afirma.

A proposta é que o encontro decorra num ambiente informal, aberto à discussão e ao contacto entre profissionais de diferentes instituições.

E, apesar das diferentes formações, especialidades e experiências que estarão representadas, o propósito final é comum. “Porque no final podemos ter formações e experiências muito diferentes, mas o objetivo é exatamente o mesmo: cuidar melhor do doente.”

 

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(03/09/2026)