XII Congresso Nacional de Autoimunidade reforça aposta na inovação, multidisciplinaridade e proximidade à sociedade

O XII Congresso Nacional de Autoimunidade terminou com um balanço “extremamente positivo”, confirmando a sua afirmação como um espaço de referência para a atualização científica, a formação e a colaboração multidisciplinar na área das doenças autoimunes.

Segundo Natália Oliveira, presidente desta edição, a elevada participação de profissionais de saúde, investigadores e médicos em formação, incluindo uma expressiva representação internacional, refletiu “o dinamismo e a vitalidade da comunidade dedicada à Autoimunidade”.

Sob o tema “Building Bridges to the Future”, o congresso promoveu a ligação entre investigação e prática clínica, reforçando a colaboração entre especialidades e instituições. O programa integrou ainda cursos pré-congresso dedicados à formação prática, nomeadamente o Clinical Escape Game e o APS in Clinical Practice, bem como iniciativas de aproximação aos Cuidados de Saúde Primários através do Networking with General Practitioners. reforçando a articulação entre diferentes níveis de cuidados.

Entre os temas em destaque estiveram a Medicina de precisão, a inteligência artificial e o big data aplicados à prática clínica, as terapias celulares e génicas, os avanços na imunopatologia e as novas estratégias terapêuticas dirigidas.

O congresso evidenciou claramente que estamos a viver uma fase de profunda transformação na autoimunidade”, afirmou Natália Oliveira. A especialista destacou a crescente capacidade de estratificação dos doentes através de biomarcadores, a aplicação da Medicina personalizada e a utilização de ferramentas digitais de apoio à decisão clínica.

No plano terapêutico mereceram especial atenção os avanços no tratamento do lúpus e da nefrite lúpica, bem como os progressos registados em doenças como a artrite reumatoide, as vasculites, a síndrome de Sjögren, as miopatias inflamatórias e a esclerose sistémica. A possibilidade de uma intervenção mais precoce foi igualmente apontada como um fator decisivo para prevenir dano irreversível e melhorar o prognóstico dos doentes.

As terapias celulares e génicas surgiram como uma das áreas mais promissoras para o futuro. Embora ainda em desenvolvimento, poderão “representar uma verdadeira mudança de paradigma” no tratamento de algumas doenças autoimunes graves ou refratárias às terapêuticas convencionais.

A multidisciplinaridade voltou a assumir um papel central no congresso, reunindo especialistas de áreas como Medicina Interna, Reumatologia, Pneumologia, Nefrologia, Imunologia, Pediatria e Medicina Geral e Familiar, Patologia Clínica, Ginecologia-Obstetrícia, Psiquiatria, Infeciologia e outras especialidades envolvidas no acompanhamento de doentes com doenças autoimunes. “Estas patologias são frequentemente multissistémicas e exigem a intervenção coordenada de diferentes especialidades ao longo do percurso do doente”, recordou a coordenadora do NEDAI.

Apesar dos progressos alcançados, continuam a existir desafios importantes, nomeadamente ao nível do diagnóstico precoce e do acesso equitativo a consultas diferenciadas, meios complementares de diagnóstico e terapêuticas inovadoras. “É fundamental continuar a investir na formação dos profissionais de saúde e na articulação entre os cuidados de saúde primários e os centros especializados”, defendeu.

Natália Oliveira destacou ainda a importância da investigação clínica e de iniciativas colaborativas como o Registo Nacional de Doenças Autoimunes (RIDAI), fundamentais para conhecer melhor a realidade portuguesa e apoiar a tomada de decisão clínica. Defendeu igualmente a necessidade de um investimento continuado em redes colaborativas, investigação clínica e sustentabilidade do sistema de saúde, para garantir que a inovação chega de forma equitativa aos doentes.

Esta edição ficou também marcada pela integração na Semana da Saúde de Penafiel, através de iniciativas dirigidas à população, estudantes e doentes. Para a responsável, a forte adesão às atividades demonstrou o crescente interesse da sociedade pelas doenças autoimunes e a importância da literacia em saúde.

A principal mensagem deste congresso é que o futuro da autoimunidade se constrói através da colaboração. O desafio que se segue é transformar este conhecimento em benefícios concretos para os doentes, garantindo que a inovação chega de forma eficaz, equitativa e sustentável à prática clínica.”, concluiu Natália Oliveira.

(25/06/2026)