6.º Congresso Nacional de Hospitalização Domiciliária debate expansão, inovação e integração no SNS

O 6.º Congresso Nacional de Hospitalização Domiciliária (CNHD) vai reunir, nos dias 18 e 19 de setembro, em Aveiro, profissionais de saúde de todo o país para discutir o presente e o futuro da hospitalização domiciliária em Portugal. Organizado pelo Núcleo de Estudos de Hospitalização Domiciliária da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, o encontro pretende promover a partilha de conhecimento entre equipas e contribuir para a definição das prioridades estratégicas para os próximos anos.

De acordo com Olga Gonçalves, coordenadora do Núcleo, esta edição foi desenhada para responder às principais preocupações das equipas que trabalham nesta área. “Importa neste 6.º CNHD ir de encontro ao cerne das preocupações e perguntas das equipas”, afirma.

O programa está organizado em torno de quatro grandes eixos: organização, estratégia e futuro da hospitalização domiciliária; populações com necessidades específicas, incluindo a vertente materno-infantil, a área oncológica, a abordagem da desnutrição e o papel da reabilitação; inovação tecnológica e segurança; e articulação com a comunidade e parcerias necessárias. O valor da hospitalização domiciliária na economia da saúde será igualmente analisado durante o congresso.

Desta discussão auguramos obter as rotas que orientem os próximos anos de trabalho da hospitalização domiciliária, bem como a sua inserção no SNS”, sublinha a responsável.

A hospitalização domiciliária tem registado uma evolução significativa desde a realização do primeiro internamento em casa, em 2015. Olga Gonçalves considera que o percurso tem sido marcado por uma rápida expansão e por elevados padrões de qualidade. “É consensual na hospitalização domiciliária que, desde o primeiro internamento em casa ocorrido em 2015, se percorreu, até com relevante rapidez, um caminho de expansão e qualidade de desempenho”, refere.

Apesar dos resultados alcançados, a especialista considera que o modelo necessita agora de uma nova fase de desenvolvimento. “Urge dinamização, um novo arranque que maximize a resposta sem perda de identidade”, afirma, acrescentando que existe ainda “uma ampla margem de diversificação de cuidados de âmbito hospitalar que podem ser prestados em casa”, complementando a atividade das unidades de hospitalização domiciliária.

Entre os principais desafios identificados pelas equipas estão a necessidade de reforçar o reconhecimento deste modelo por parte dos restantes profissionais de saúde, promover uma melhor articulação entre equipas nas Unidades Locais de Saúde (ULS), garantir recursos humanos e equipamentos adequados às necessidades assistenciais e acelerar o desenvolvimento de ferramentas digitais que permitam a monitorização remota dos doentes com elevados padrões de segurança e qualidade.

A inovação tecnológica será, por isso, um dos temas centrais do congresso. Para Olga Gonçalves, a hospitalização domiciliária é “o palco onde melhor podem coexistir e interagir progresso tecnológico e cuidado presencial”. A responsável explica que a experiência acumulada pelas equipas e a utilização de instrumentos de avaliação de risco permitirão definir planos de acompanhamento cada vez mais personalizados, conjugando visitas presenciais com momentos de avaliação à distância.

“Nunca abrindo mão de um contacto direto ao longo do internamento, será possível realizar de forma programada momentos avaliativos telemáticos”, explica.

Na sua perspetiva, o desenvolvimento destas ferramentas poderá permitir alargar a capacidade de resposta das equipas, reforçar a segurança dos procedimentos, melhorar a vigilância clínica e acelerar a admissão de doentes em regime de hospitalização domiciliária. “Todos os itens enunciados constituem signos de experiência gratificante para os doentes”, destaca.

Além da componente científica, o congresso assume-se como um importante momento de encontro entre os profissionais dedicados à hospitalização domiciliária. “Este é o grande momento anual de reunião e debate das equipas HD; por isso mesmo, desempenha simultaneamente as funções de rever e aperfeiçoar o trabalho realizado e a de perspetivar o que é prioritário desenvolver”, afirma Olga Gonçalves.

A responsável destaca ainda que a partilha de dificuldades, experiências e resultados é essencial para garantir a evolução sustentada deste modelo assistencial. “A partilha de dificuldades e resultados é fundamental, permite que se mantenha a matriz HD sem abdicar da inclusão de novos caminhos de abrangência do cidadão agudamente doente.”

O carácter multidisciplinar das equipas estará também refletido nos trabalhos científicos apresentados durante o congresso. Segundo a coordenadora, as comunicações submetidas traduzem “um esforço singular de convergência do planear e agir no tratamento e cuidado dos doentes”.

Olhando para o futuro, Olga Gonçalves defende que é prioritário responder de forma célere e consistente às necessidades identificadas pelas equipas de hospitalização domiciliária, criando condições para uma expansão sustentada do modelo em todo o país.

A qualidade do hospital com o conforto de casa é possível e tem de estender-se ao global da população”, conclui.

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6 Congresso Nacional de Hospitalização Domiciliaria

(23/06/2026)