SPMI convidada para fórum “Plano de Emergência e Transformação da Saúde: Dois Anos de Anúncios por Cumprir”

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) foi convidada para participar no fórum “Plano de Emergência e Transformação da Saúde (PETS): Dois Anos de Anúncios por Cumprir”, que decorreu no passado dia 26 de maio na Casa do Parlamento – Centro Interpretativo da Assembleia da República.

O fórum, organizado pelo Grupo Parlamentar do Partido Socialista reuniu deputados, especialistas, profissionais de saúde e representantes de entidades do setor que analisaram o estado de execução do Plano de Emergência e Transformação da Saúde (PETS), dois anos após o seu anúncio, e discutiram os principais desafios que continuam por resolver no Serviço Nacional de Saúde.

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna defendeu neste fórum, tal como tem vindo a fazer nos últimos anos, que o problema do funcionamento dos serviços de urgência em Portugal se resolve, sobretudo, com medidas fora da urgência, no antes e no depois.

Na pré urgência há medidas como o sistema de triagem “Ligue antes, salve vidas” que conseguiu reduzir a afluência, mas não é suficiente. Precisamos que os Cuidados de Saúde Primários avaliem todos os doentes agudos sem gravidade e que tenham acesso a MCDT’s básicos, como radiologia convencional, eletrocardiograma ou análises em sistemas “point of care”. É necessário libertar funções dos Médicos de Família para outros profissionais, como enfermeiros, psicólogos, farmacêuticos ou assistentes sociais, para que se foquem no diagnóstico e plano terapêutico que só pode ser feito pelo médico”, afirmou Luís Duarte Costa, Presidente da SPMI.

Já quanto às urgências, para o Presidente da SPMI, seria importante que todos os internos, durante toda a sua formação específica, fizessem serviço de urgência regular. “Não é aceitável que um endocrinologista, reumatologista, infeciologista ou qualquer outra especialidade que não a Medicina Interna, não estejam familiarizados com as situações agudas, inclusive dentro das suas áreas de especialidade.

Para as situações pós urgência a SPMI defendeu que é necessário generalizar vários projetos de sucesso da Medicina Interna, tal como os hospitais de dia, consultas abertas de doentes complexos, que permitem que os doentes com doenças crónicas sejam avaliados fora da confusão da urgência, por quem os conhece e melhor identifica os sinais de alarme.

Luís Duarte Costa deixou ainda a mensagem que temos ainda de reformar todo o sistema hospitalar, em grandes departamentos de Medicina, com unidades multidisciplinares por patologia, que coloque o doente no centro para que não espere na urgência em maca ou que aguarde uma semana para realizar exames complementares realizados por várias especialidades.  Mas para que isto seja possível é preciso que haja coragem política no Ministério da Saúde e na Ordem dos Médicos”.

(28/05/2026)