6.º Curso de Nutrição Clínica da SPMI regressa em setembro com aposta na inteligência artificial e na prática clínica

O 6.º Curso de Nutrição Clínica do Núcleo de Estudos de Nutrição Clínica (NENC) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) realiza-se, em formato e-learning, entre 28 de setembro e 25 de outubro de 2026, reforçando a aposta na formação dos profissionais de saúde numa área considerada determinante para melhorar os cuidados prestados aos doentes em risco nutricional.

Para Ricardo Marinho, coordenador do NENC, a realização da sexta edição representa um marco importante para a consolidação desta iniciativa formativa. “Chegar à sexta edição é, acima de tudo, um sinal de consistência, confiança e relevância científica. Representa o reconhecimento do curso como uma formação útil e necessária para os profissionais que lidam diariamente com doentes em risco nutricional“, afirma. O responsável sublinha ainda que, “num contexto em que a malnutrição continua a ser frequentemente subdiagnosticada e subtratada, esta continuidade mostra também o compromisso do NENC e da SPMI em manter a Nutrição Clínica na agenda formativa e assistencial”.

Segundo Ricardo Marinho, a malnutrição continua a ter um impacto significativo nos resultados em saúde, contribuindo para “maior morbilidade, internamentos mais prolongados e mais complicações nosocomiais”. O coordenador do NENC destaca ainda dados de um estudo recente realizado num hospital universitário português, que revelou que “o risco nutricional está presente em quase 50% dos doentes da Medicina Interna, mas apenas cerca de 15% são efetivamente tratados para esta morbilidade“. Na sua perspetiva, “quando os profissionais estão mais bem preparados para identificar precocemente o risco nutricional e intervir de forma estruturada e precoce, melhora-se a qualidade dos cuidados e a eficiência do sistema. Em suma, formar melhor é cuidar melhor”.

Ao longo das quatro semanas de formação, os participantes terão oportunidade de aprofundar competências em rastreio, avaliação e diagnóstico nutricional, interpretação clínica dos dados e definição de estratégias de intervenção em diferentes patologias. O curso pretende igualmente reforçar a articulação entre equipas multidisciplinares e o acompanhamento continuado dos doentes. “Além do conhecimento técnico, é expectável que os participantes saiam mais capacitados para integrar a nutrição na decisão clínica diária”, salienta Ricardo Marinho.

Entre as novidades da sexta edição destaca-se a introdução de temas emergentes, como a inteligência artificial, a nutrigenómica e o uso de anabolizantes, refletindo a evolução científica da área. “Uma das grandes mais-valias desta edição é o reforço da dimensão formativa e científica do curso, num momento em que a Nutrição Clínica em Portugal continua a enfrentar lacunas importantes na implementação prática”, refere o coordenador. A edição contará ainda com a colaboração do Núcleo de Estudos de Medicina Paliativa (NEPAL), do Núcleo de Estudos de Doenças Autoimunes (NEDAI) e do Núcleo de Estudos de Doenças Respiratórias (NEResp), promovendo “uma abordagem mais integrada e transversal da Nutrição Clínica”.

O programa inclui também um webinar dedicado à nutrição entérica em ambulatório com a presença de quatro palestrantes internacionais, motivado pela recente entrada em vigor da comparticipação desta terapêutica em Portugal. Ricardo Marinho explica que “o objetivo é aprender com a experiência internacional, conhecer modelos já consolidados e identificar boas práticas que possam ajudar a melhorar a implementação do nosso próprio sistema“, considerando que esta partilha será determinante para adaptar soluções às necessidades dos doentes e das equipas de saúde.

A multidisciplinaridade continuará a ser um dos pilares da formação. “A Nutrição Clínica é, por natureza, uma área multidisciplinar, que exige a colaboração de médicos, nutricionistas, enfermeiros, farmacêuticos e outros profissionais”, afirma o coordenador, acrescentando que esta articulação permite uma avaliação mais completa, intervenções mais seguras e um seguimento mais eficaz dos doentes.

Entre os principais desafios que a Nutrição Clínica enfrenta em Portugal, Ricardo Marinho identifica “o subdiagnóstico da malnutrição, a implementação ainda desigual do rastreio nutricional e a continuidade de cuidados entre o hospital, o ambulatório e o domicílio“. Acrescenta ainda que a recente comparticipação da nutrição entérica “evidenciou a necessidade de maior formação dos médicos para prescreverem e gerirem este tipo de terapêutica em contexto ambulatório”, considerando que o curso poderá contribuir para colmatar esse défice através do reforço das competências práticas.

Dirigindo-se aos profissionais de saúde, o coordenador do NENC deixa um convite à participação. “Esta é uma oportunidade para contactar com uma formação prática, atual e diretamente alinhada com os desafios reais da Nutrição Clínica em Portugal”, afirma. “É um curso pensado para quem quer não só atualizar conhecimentos, mas também ganhar ferramentas úteis para responder melhor às necessidades dos doentes e integrar a Nutrição Clínica de forma mais sólida na prática diária”, conclui.

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(04/08/2026)