20.ª Reunião Anual do NEDM leva a Viseu novos desafios na abordagem da diabetes

O papel da autoimunidade na diabetes, a monitorização contínua da glicose, a insulinoterapia, a obesidade, o fígado e até os mitos na alimentação são alguns dos temas em destaque na 20.ª Reunião Anual do Núcleo de Estudos de Diabetes Mellitus (NEDM) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), que decorre nos dias 23 e 24 de outubro, em Viseu.

Este ano iremos abordar o papel do processo autoimune no desenvolvimento e na sua associação com a diabetes, quer tipo 1 quer tipo 2, falaremos de fígado, de insulinoterapia, de obesidade, de pele, de mitos na alimentação, entre outros”, afirma Mónica Reis, coordenadora do NEDM, sublinhando a intenção de apresentar, como tem sido habitual, “um programa variado e com temas menos habituais”.

A reunião acontece num momento de profunda transformação na forma como a diabetes é diagnosticada, monitorizada e tratada. Nas últimas duas décadas, considera a médica, a evolução foi “realmente avassaladora”, tanto ao nível terapêutico como tecnológico. Entre as mudanças mais relevantes, destaca a utilização da monitorização contínua da glicose e a evolução dos sistemas de perfusão contínua de insulina, não apenas pela forma como são utilizados, mas também pela redução da sua dimensão.

Na diabetes tipo 1, Mónica Reis destaca ainda uma mudança de paradigma que poderá ter consequências particularmente relevantes para as pessoas em risco de desenvolver a doença. “A forma absolutamente inovadora e diferenciadora como estamos e vamos abordar estes doentes”, através do rastreio precoce, poderá permitir alterar o diagnóstico e “protelar no tempo o surgir da doença ativa, com ganhos extraordinários para estas pessoas”, salienta.

Apesar dos avanços científicos e tecnológicos e da crescente quantidade de informação disponível, a coordenadora do NEDM entende que continua a existir um défice importante de literacia em saúde. A dimensão e a gravidade de uma diabetes diagnosticada tardiamente e não controlada atempadamente ainda não são suficientemente reconhecidas pela população e, em alguns casos, também pelas autoridades.

“O investimento em literacia continua parco e o seu real uso pelas pessoas também”, afirma. Para a especialista, a resposta passa necessariamente pela educação e pela promoção de estilos de vida saudáveis: “A educação e um estilo de vida saudável fazem realmente toda a diferença.”

O papel do Internista na abordagem da pessoa com diabetes é cada vez mais relevante e fundamental”, defende Mónica Reis. “O facto de os doentes terem múltiplas patologias, muitas delas complexas e interligadas, faz com que aqueles que melhor competência técnica e melhor formação na gestão destes tipos de doentes tenham perfil mais assertivo para a mesma, e este é o perfil da Medicina Interna”, explica.

A componente científica terá também um lugar de destaque na 20.ª edição da reunião. A apresentação de trabalhos científicos, considera a coordenadora, é uma oportunidade para partilhar experiências e promover a aprendizagem entre diferentes gerações de médicos. Nesse âmbito, o Prémio Jorge Caldeira assume um significado particular, enquanto incentivo à participação, reconhecimento do mérito científico e homenagem a uma figura de referência na área da diabetes em Portugal e no NEDM.

“A curiosidade é fundamental no avanço da ciência e é através da investigação que se chega mais além, que se aprende”, sublinha Mónica Reis, defendendo que esse espírito deve permanecer vivo “não só nos mais jovens como também nos mais velhos”.

Ao chegar à 20.ª edição, a Reunião Anual do NEDM representa, para a sua coordenadora, um marco num percurso de melhoria contínua. Mónica Reis, que participou na maioria das edições, destaca a capacidade de o encontro preservar a sua identidade ao longo dos anos: “Manteve a jovialidade e o espírito descontraído que caracteriza esta Reunião sem perder, em momento algum, a excelência científica do seu conteúdo e o atrevimento de abordar temas mais difíceis ou ‘parentes pobres’ da diabetes.”

Ao longo deste percurso, a reunião contribuiu, na sua perspetiva, para a formação médica e para a defesa das boas práticas na diabetes em Portugal, demonstrando também a relevância crescente da relação entre a Medicina Interna e a Diabetologia.

O que espero desta 20.ª Reunião Anual, é o que espero sempre: que quando terminar estejamos mais ricos, mais capazes de tratar/cuidar da pessoa com diabetes e tenhamos construído pontes entre nós que nos capacitem e facilitem esse trabalho”, conclui Mónica Reis.

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(07/09/2026)