Bolsa de Investigação SPMI 2026 apoia projeto sobre insuficiência cardíaca
A Bolsa de Investigação SPMI 2026 vai permitir avançar com a primeira fase do projeto OMIC-HF – Ambulatory Multi-Omics Profiling in Heart Failure, da autoria de Vanessa Novais de Carvalho, internista no Hospital da Luz Setúbal e Hospital da Luz Lisboa. O projeto pretende contribuir para uma caracterização mais individualizada dos doentes com insuficiência cardíaca, através da integração de diferentes assinaturas biológicas.
Para Vanessa Novais de Carvalho, iniciativas como esta Bolsa são fundamentais para incentivar a investigação em Medicina Interna. “A Medicina Interna é uma especialidade extraordinariamente abrangente. Temos uma visão global e integrada do doente e estamos habituados a lidar com multimorbilidade e situações de grande complexidade, o que nos coloca numa posição privilegiada para identificar perguntas de investigação verdadeiramente relevantes para a prática clínica”, afirma. A elevada carga assistencial, contudo, nem sempre permite transformar essas questões em projetos estruturados. Por isso, considera que a Bolsa representa “um apoio financeiro importante”, mas também “um incentivo, uma validação de uma ideia e uma motivação para continuar”.
O OMIC-HF nasce de uma questão colocada pela própria prática clínica: “Será que conseguimos diagnosticar mais cedo? Será que conseguimos ter ferramentas que nos permitam identificar os doentes que vão evoluir desfavoravelmente?”. O projeto parte da elevada heterogeneidade da insuficiência cardíaca, procurando perceber se diferentes assinaturas biológicas podem ajudar a identificar distintos fenótipos e trajetórias da doença.
A primeira fase, financiada pela Bolsa da SPMI, irá integrar a caracterização clínica com a análise de compostos orgânicos voláteis presentes no ar exalado, através de uma abordagem de breathomics, e com a metabolómica plasmática e digital. O objetivo é identificar assinaturas específicas associadas a diferentes fenótipos de insuficiência cardíaca. Posteriormente, o acompanhamento longitudinal dos doentes permitirá avaliar se essas assinaturas poderão contribuir para uma melhor estratificação do risco e identificação precoce de agravamento.
“O aspeto que considero mais inovador no OMIC-HF é precisamente a integração de diferentes camadas de informação biológica numa população acompanhada em contexto ambulatório. Mais do que encontrar um novo biomarcador isolado, queremos perceber se a combinação de diferentes sinais pode ajudar-nos a compreender melhor os fenótipos e a trajetória da doença”, explica a investigadora.
Vanessa Novais de Carvalho destaca ainda os desafios que persistem para a investigação em Medicina Interna em Portugal, nomeadamente a necessidade de tempo protegido, formação, apoio estatístico e logístico, financiamento e redes colaborativas. Aos internistas e jovens investigadores deixa uma mensagem de incentivo: “Muitas vezes, os melhores projetos começam com uma dúvida que surge perante um doente ou com algo que percebemos que ainda não conseguimos explicar ou fazer suficientemente bem na nossa prática clínica.”
A atribuição da Bolsa é, para a médica, “simultaneamente uma enorme honra e uma responsabilidade”. E deixa uma convicção sobre a importância de continuar a apostar na investigação realizada pelos internistas: “Investir na investigação feita por internistas é também investir no futuro da própria Medicina Interna e, acima de tudo, na qualidade dos cuidados que prestamos aos nossos doentes.”
(25/09/2026)




