Reunião do NEPRV reforça dinâmica científica e participação crescente

A 7.ª Reunião do Núcleo de Estudos de Prevenção e Risco Vascular (NEPRV) voltou a afirmar-se como um momento central de atualização científica para os internistas e outros profissionais ligados à área cardiovascular. Apesar de o núcleo “ainda ser relativamente pequeno”, a adesão continua a aumentar e o balanço global “foi muito positivo”, sublinha a coordenadora do NEPRV, Vitória Cunha.

Segundo a responsável, o formato “9 às 5”, organizado em sessões curtas dedicadas a hot topics e dinamizadas por peritos nacionais, contribuiu para o interesse e envolvimento da audiência. “A sala permanentemente cheia e participativa foi o reflexo disso mesmo”, destacou.

Tal como é tradição, o encontro procurou compilar e discutir as novidades científicas do último ano. “Cada área trouxe dois temas quentes, que pretendem ser modificadores da prática ou apenas provocadores de novas formas de pensar”, referiu Vitória Cunha, acrescentando que “todos os temas que abordamos são chave, e pegamos é mesmo nas chaves de cada um”.

Entre os momentos marcantes da reunião, a coordenadora destaca a apresentação da análise preliminar do Estudo FAMINT, um projeto nacional que envolveu 19 serviços de Medicina Interna, no continente e nas ilhas, abrangendo mais de duas mil camas hospitalares. O estudo teve como objetivo caracterizar os internamentos por fibrilhação auricular ao longo de três meses em Portugal. “Foi, sem dúvida, um dos pontos altos face a edições anteriores”, sublinhou.

Para Vitória Cunha, o impacto prático desta reunião é claro: “Trazemos os temas mais quentes do ano, aqueles que contribuíram para mudar a prática clínica ou repensar alguns aspetos da mesma.”

Embora reconheça que a prevenção cardiovascular em Portugal continua a enfrentar desafios, a coordenadora explica que a reunião privilegiou uma perspetiva orientada para soluções. “Focamos mais nas novidades do que nas lacunas. É importante continuar alerta para as falhas do sistema, mas acima de tudo focar no que podemos fazer para melhorar, e as novidades científicas são geralmente um caminho para isso”, afirmou.

O papel do NEPRV na formação contínua tem-se materializado através da reunião anual e de várias iniciativas complementares. “Temos pequenas publicações temáticas, alguns cursos que pretendemos retomar ou inovar, e a publicação anual do YearBook de risco vascular, que revê o melhor que foi publicado na área e integra contributos de internistas de todo o país”, lembrou.

Quanto ao futuro, as prioridades passam por aprofundar o conhecimento científico conjunto. “Pretendemos analisar mais profundamente os dados do FAMINT e que seja um empurrão para mais estudos semelhantes, que unam os vários serviços de Medicina Interna a nível nacional e permitam melhorar a nossa prática”, concluiu, acrescentando o desejo de que tanto o FAMINT como o YearBook se assumam como “pontos de união, cientificamente úteis, para os vários núcleos da SPMI e para os internistas”.

(07/01/2026)