Inovação, articulação e foco no doente marcaram o 10.º Congresso Nacional da Urgência
O 10.º Congresso Nacional da Urgência terminou com um balanço “muito positivo”, afirmou a secretária-geral do evento, Maria João Lobão, destacando a forte participação e o crescente interesse dos profissionais pelo setor. A edição deste ano reuniu 236 inscritos no congresso, 170 participantes nos cursos e workshops pré-congresso e recebeu 190 trabalhos submetidos, números que, segundo a responsável, refletem “o interesse pela urgência, pela aquisição e atualização de conhecimentos e pela partilha do trabalho desenvolvido nos hospitais”.
Sob o tema “O doente agudo no continuum de cuidados”, o encontro procurou integrar todos os intervenientes deste percurso, desde os cuidados de saúde primários aos cuidados intermédios e intensivos. O programa contemplou ainda alternativas ao internamento convencional, como a hospitalização domiciliária, e abordou a gestão do doente crónico agudizado através dos hospitais de dia. A organização quis, assim, responder aos principais desafios que hoje se colocam ao funcionamento das urgências no sistema de saúde.
Entre as mensagens-chave que marcaram as sessões científicas, Maria João Lobão destaca três pilares: a abertura à inovação para tornar os processos mais eficientes, a necessidade de reforçar e implementar portas alternativas ao serviço de urgência hospitalar, que “não deve ser o local para onde tudo converge”, e a importância da interdisciplinaridade para repensar o percurso do doente dentro do hospital, numa abordagem verdadeiramente centrada na pessoa.
O congresso funcionou também como um espaço de reflexão e de promoção da articulação entre serviços de urgência e Medicina Interna, aproximando todas as especialidades que contribuem para o funcionamento destes serviços. Quanto às áreas que mais evoluíram, sublinha que, dado que a urgência aborda “todas as patologias que podem agudizar”, o desafio de atualização é constante, acompanhando a evolução do conhecimento e das guidelines.
A participação dos profissionais foi intensa, tanto no número de inscritos como no envolvimento nas discussões. Além do debate técnico-científico e da reflexão sobre a organização do trabalho, destacaram-se temas que suscitaram grande interesse, como a inteligência artificial e a liderança de equipas de alta performance, áreas que a responsável considera cruciais para o futuro da Medicina e, particularmente, da urgência.
Para Maria João Lobão, seria “muito positivo” que o congresso tivesse um impacto direto na prática clínica. A expectativa é que os participantes regressem aos seus serviços com “um orgulho renovado” pelo trabalho desenvolvido na urgência e pela Medicina Interna, contribuindo para a melhoria do funcionamento das organizações e para a consolidação de uma abordagem centrada no doente no contexto do Serviço Nacional de Saúde.
(04/02/2026)




