Network de Imunologia da Zona Sul e Ilhas promove partilha científica e aproxima centros de autoimunidade

A próxima edição do Network de Imunologia da Zona Sul e Ilhas volta a reunir, dia 25 de abril em Ponta Delgada, profissionais dedicados às doenças autoimunes num espaço de atualização científica e partilha de experiências clínicas. A sessão, integrada na iniciativa promovida pelo Núcleo de Estudos de Doenças Autoimunes (NEDAI), da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, contará com vários temas de revisão e discussão de casos clínicos, reforçando a ligação entre centros hospitalares da região.

Responsável pela organização desta edição, Miriam Cimbron destaca a relevância do encontro, sublinhando que o evento assinala um momento especial para a instituição anfitriã. “Pela primeira vez na história do nosso hospital estamos a organizar uma sessão totalmente dedicada às Doenças Autoimunes Sistémicas com a participação do NEDAI”, refere. Segundo a especialista, o objetivo foi selecionar “temas abrangentes e de interesse na prática diária das várias especialidades médicas”, sem deixar de abordar questões mais complexas que exigem atualização contínua e discussão multidisciplinar.

Entre os tópicos em destaque estarão questões com impacto direto na prática clínica, como o risco cardiovascular associado às doenças autoimunes e o papel da Radiologia no diagnóstico e no seguimento destas patologias. A reunião incluirá também temas mais específicos, como os diferentes fenótipos das miosites inflamatórias e os desafios na decisão do momento adequado para suspender terapêutica biológica em diferentes doenças. Além disso, serão apresentados casos clínicos do próprio hospital organizador. “Iremos partilhar situações que evidenciam as dificuldades e limitações técnicas de um hospital ultraperiférico e as estratégias que utilizamos para ultrapassar essas barreiras”, explica Miriam Cimbron.

Numa região com grande dispersão geográfica, que inclui os arquipélagos, o formato híbrido das reuniões tem sido determinante para garantir uma participação alargada. “O formato híbrido tem sido fundamental desde o início para o sucesso das reuniões NIM, em particular para os colegas dos arquipélagos, dada a distância geográfica aos centros do continente e as condicionantes de mobilidade”, afirma. Este modelo permite que profissionais de diferentes centros participem online, acompanhando a tendência de digitalização das reuniões científicas.

A partilha de casos clínicos continua a ser um dos momentos centrais destes encontros. Para a especialista, trata-se de uma ferramenta essencial de aprendizagem e melhoria da prática assistencial. “Funcionam como uma ferramenta de educação, de atualização científica e de melhoria da prática assistencial através da partilha de casos reais complexos”, refere, acrescentando que estas discussões estimulam o trabalho em equipa e a abordagem multidisciplinar do doente. “Não tenho dúvidas de que muitos momentos ‘Eureka!’ acontecem exatamente na partilha de casos clínicos.”

Desde a criação dos Networks de Imunologia, há cerca de dois anos, o interesse dos profissionais tem vindo a crescer de forma consistente. Miriam Cimbron, que acompanhou todas as edições, considera que as sessões têm mantido um elevado nível científico e uma grande diversidade de temas relacionados com as patologias autoimunes. Ainda assim, reconhece que a participação nem sempre é fácil devido a múltiplos fatores, como escalas de urgência, compromissos familiares ou a crescente oferta de eventos científicos.

Apesar desses desafios, a responsável deixa um convite claro aos profissionais da região: “A participação e colaboração de todos é essencial para o crescimento do NIM e para a valorização de cada centro”. Na sua perspetiva, estas reuniões contribuem para a uniformização dos cuidados nas doenças autoimunes e para a difusão do conhecimento médico mais atualizado, com impacto direto na qualidade da assistência prestada aos doentes. “Num contexto de rápida evolução científica, é importante poder contar com um Núcleo atento e agregador dos vários centros do país, incluindo o arquipélago dos Açores”, conclui.

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(11/03/2026)