Curso de Orientadores de Formação em Medicina Interna reforça importância da orientação no percurso dos internos

O Curso de Orientadores de Formação em Medicina Interna, realizado a 4 de setembro, em Vila Real, terminou com um balanço muito positivo por parte dos seus coordenadores, Ricardo Fernandes, Zélia Lopes e Susana Marques. A participação e o envolvimento dos formandos, mas sobretudo a qualidade da reflexão, da discussão e da partilha de experiências, foram alguns dos aspetos destacados pelos responsáveis pela formação.

“Procurámos reforçar competências essenciais para o exercício da orientação de formação, disponibilizar ferramentas práticas para o acompanhamento dos internos e promover uma formação mais estruturada, individualizada e centrada nas necessidades de aprendizagem”, explicaram. O curso procurou ainda criar um espaço de discussão entre pares, aproximando os princípios pedagógicos e regulamentares da realidade diária dos serviços de Medicina Interna. “Mais do que transmitir conceitos, procurámos estimular uma reflexão sobre o papel do orientador enquanto elemento ativo e determinante no percurso formativo do interno”, acrescentaram.

Entre os temas que suscitaram maior interesse e participação estiveram a comunicação e o feedback, a avaliação do desempenho, a definição de objetivos e a elaboração de planos individuais de formação. Os formandos participaram também ativamente na discussão de situações mais complexas, nomeadamente a gestão de expectativas, o acompanhamento de internos com dificuldades, a resolução de conflitos e o equilíbrio entre autonomia progressiva e segurança clínica. “A abordagem através de casos práticos permitiu que os participantes reconhecessem situações próximas da sua realidade profissional e construíssem respostas concretas e aplicáveis aos seus contextos”.

A legislação e a regulamentação atualmente em vigor para o Internato Médico foram igualmente alvo de uma discussão aprofundada. Segundo os coordenadores, este momento permitiu clarificar direitos, deveres e responsabilidades dos diferentes intervenientes no processo formativo e refletir sobre algumas práticas ainda presentes nos serviços. “É fundamental recordar que o interno é, antes de mais, um médico em formação e que a sua presença num serviço não pode ser entendida apenas numa lógica de resposta às necessidades assistenciais ou como mais um elemento da força de trabalho”.

Para os coordenadores, um dos principais desafios atuais da orientação de formação está precisamente na necessidade de conciliar as exigências assistenciais dos serviços com a verdadeira finalidade do Internato Médico. O orientador exerce a sua função num contexto de elevada pressão assistencial, crescente complexidade clínica e escassez de tempo protegido para ensinar, acompanhar e avaliar, a que se juntam a heterogeneidade dos percursos dos internos, a necessidade de garantir avaliações rigorosas e justas e a gestão de dificuldades de desempenho.

“Um dos desafios passa também por conciliar as necessidades assistenciais dos serviços com a verdadeira finalidade do Internato Médico”. Num contexto de elevada carga de trabalho, “existe o risco de o interno ser progressivamente encarado sobretudo como um colaborador assistencial, relegando para segundo plano a estruturação do seu percurso de aprendizagem”.

Foi neste contexto que o curso procurou disponibilizar instrumentos de planeamento, modelos de comunicação e feedback, estratégias de avaliação, discussão da legislação aplicável e propostas concretas para identificar e abordar precocemente situações difíceis. A formação pretendeu, assim, contribuir para uma orientação mais intencional, consistente e centrada no desenvolvimento de cada interno.

“Um orientador mais preparado consegue definir objetivos claros, acompanhar a progressão, identificar dificuldades precocemente, proporcionar feedback verdadeiramente transformador e criar oportunidades de aprendizagem adaptadas às necessidades de cada formando”. Para os responsáveis pela formação, o benefício da formação não se limita aos internos, uma vez que o próprio orientador também tem oportunidade de desenvolver competências e refletir sobre a sua prática clínica e pedagógica. “Ser orientador não é apenas acompanhar um percurso; é também crescer profissionalmente através desse percurso”.

Na perspetiva dos coordenadores, o investimento na formação dos orientadores poderá ter um efeito multiplicador, ao melhorar a experiência formativa dos internos, qualificar o exercício da orientação e contribuir para formar internistas mais competentes, autónomos, reflexivos e humanistas, com impacto direto na qualidade e segurança dos cuidados prestados às pessoas-doentes.

Olhando para as próximas edições, os responsáveis pelo curso pretendem manter o caráter prático, participativo e próximo da realidade dos serviços, valorizando a discussão de casos, a resolução de problemas concretos e a partilha de experiências entre orientadores. A avaliação por competências, o acompanhamento de internos com dificuldades, o feedback em situações complexas, a liderança, o bem-estar profissional, a gestão de equipas e a integração responsável das tecnologias digitais e da inteligência artificial na formação médica são algumas das áreas que gostariam de aprofundar.

“Será importante aprofundar áreas como a avaliação por competências, o acompanhamento de internos com dificuldades, o feedback em situações complexas, a liderança, o bem-estar profissional, a gestão de equipas e a integração responsável das tecnologias digitais e da inteligência artificial na formação médica”.

Para os coordenadores, a formação dos futuros internistas terá de acompanhar uma Medicina cada vez mais complexa, exigente e tecnologicamente diferenciada, sem perder as dimensões humana, relacional e reflexiva que caracterizam a especialidade. “O grande desafio será formar médicos tecnicamente excelentes sem perder a dimensão humana, relacional e reflexiva que distingue um verdadeiro internista”.

(06/10/2026)