Resumos - Consulta
REPOLARIZAÇÃO PRECOCE, NÃO TÃO BENIGNO QUANTO ISSO…
D. Cardiovasculares   -   Poster
Congresso ID: PO-05-35   -   Sala Filipe I | LCD #5 | sem discussão
HOSPITAL DOS LUSíADAS LISBOA - UNIDADE DE MEDICINA INTERNA
Helena Vitorino, Ascensión López, Ana Afonso, Joana Mariz, Eduarda Comenda, Nadine Monteiro, Cláudia Jesus, Helena Cantante
A repolarização precoce (RP) é definida no eletrocardiograma (ECG) por uma defleção positiva imediatamente a seguir ao complexo QRS no início do segmento ST, em duas derivações adjacentes, denominado de onda-J ou elevação do ponto J. O termo foi introduzido há mais de 50 anos e tradicionalmente considerado como idiopático/benigno até ao ano 2000. Atualmente e devido a observações de casos, estudo clínicos e investigação eletrofisiológica básica acredita-se que possa apresentar um papel crítico na patogénese da fibrilhação ventricular idiopática em alguns doentes. Os autores apresentam o caso de um homem de 36 anos, aparentemente saudável que foi observado no serviço de urgência por quadro de tonturas. Na avaliação inicial apresentava no ECG padrão de RP com onda J visível nas derivações inferiores, interpretado como alterações benignas. Foi admitido diagnóstico de vertigem e referenciado a consulta. Para esclarecimento do quadro clínico foram realizados vários exames de diagnóstico. Manteve seguimento durante um ano com investigação complementar admitindo-se patologia vestibular. Pela persistência dos sintomas mas sem grande consistência quando ao diagnóstico de patologia vestibular foi realizado Detetor de Eventos que revelou: “episódio de taquicardia ventricular polimórfica de complexos largos (tipo torsade de pointes)…”. Foi excluída patologia estrutural cardíaca e colocado cardio-desfibrilhador implantável sem intercorrências. A morte súbita cardíaca é um dos principais contribuintes para mortalidade da população. A causa mais comum de morte súbita cardíaca é fibrilação ventricular, que, em 80% dos casos, é decorrente de doença arterial coronaria. No entanto, em 10% a 20% dos casos, são causadas por distúrbios primários eletrofisiológicos, entre elas a RP, muitas vezes desvalorizada numa avaliação inicial do doente.
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