Resumos - Consulta
APARENTEMENTE UMA SIMPLES PIELONEFRITE AGUDA QUE OCULTAVA ALGO MAIS…
D. Renais   -   Poster
Congresso ID: PO-03-52   -   Sala Filipe I | LCD #3 | sem discussão
CHTMAD - HOSPITAL DE VILA REAL - SERVIçO DE MEDICINA INTERNA
Inês Teles Grilo, Isabel Militão, Adelaide Moutinho, Trigo Faria
Os autores descrevem o caso de uma doente de 64 anos, com antecedentes de litíase renal e depressão. Apresentava-se com sintomas de lombalgia direita e náuseas, com 24horas evolução. Sem febre e sem sintomas urinários baixos. Objetivamente estava febril (39,3ºC), tinha desconforto à palpação abdominal e Murphy renal positivo à direita. Analiticamente não tinha leucocitose, a função renal era normal e a proteína C reativa era 4,0 mg/dL. O sedimento urinário tinha leucocitúria e hematúria, com nitritos negativos. Não se identificavam cálculos radiopacos na radiografia renovesical. Efetuou tomografia computorizada que mostrou um quisto complexo no rim direito com 32 mm com hiperdensidade periférica e parede mal definida. A doente colheu culturas e iniciou ceftriaxone por suspeita de pielonefrite aguda direita/quisto renal infetado. Ao longo do internamento manteve-se febril e com parâmetros inflamatórios aumentados, com necessidade de escalar progressivamente o antibiótico. Não houve qualquer isolamento nas culturas. Realizou ressonância magnética (RMN) para melhor esclarecimento da imagem renal, a qual corroborou a presença de quisto complexo com componente hemorrágico/inflamatório/infecioso. Enquanto aguardava drenagem do quisto por Radiologia de Intervenção trocou-se a antibioterapia para ciprofloxacina por apresentar maior grau de penetração nos quistos renais, tendo-se verificado melhoria clínica e analítica. A doente manteve a ciprofloxacina por um total de 6 semanas e posteriormente foi reavaliada, apresentando-se assintomática e com RMN que demonstrava regressão da lesão. Com este caso clínico pretende-se alertar para a difícil penetração dos antibióticos nos quistos renais. Os agentes lipofílicos penetram mais consistentemente e, como tal, o uso de fluoroquinolonas tem uma maior difusão e uma melhor atividade bactericida. Se após 1-2 semanas de antibioterapia a febre persistir deverá ser ponderada a drenagem dos quistos infetados.
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