Resumos - Consulta
O INTERNAMENTO DE MEDICINA INTERNA EM PORTUGAL
Organização de Serviços de Saúde e Qualidade   -   Comunicação Oral
Congresso ID: CO-48-01   -   sexta-feira, dia 27 de Maio às 08h00 | Escola de Hotelaria - Sala 4
NúCLEO DE INTERNOS DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE MEDICINA INTERNA
A. Vilas-Boas, L. Eça Guimarães, N. Bernardino Vieira
Introdução: A Medicina Interna (MI) tem um papel fulcral no acompanhamento do doente em ambiente hospitalar, apesar disso, em Portugal existe um défice de informação acerca destes doentes. O presente estudo pretende colmatar esta lacuna ao caracterizar o doente tipo internado numa enfermaria de MI. Material e Métodos: Estudo transversal multicêntrico que envolveu 43 hospitais de Portugal. Foram incluídos todos os doentes internados nos serviços de MI participantes no dia 17/12/2015. Colheram-se dados socio-demográficos e clínicos como o índice de comorbilidade, estado funcional e diagnóstico principal. Resultados: Foram incluídos 3284 doentes, 52% do género feminino com idade média de 76 anos (mediana 79 anos). A maioria das admissões foram urgentes e a maioria dos doentes eram provenientes do domicílio, estando apenas 16% institucionalizados. Na escala funcional ECOG 45% dos doentes pontuaram 3 ou 4, significando um considerável grau de dependência. A mediana ao índice de comorbilidade de Charlson foi de 7, indicando um risco relativo de morte de 13. O diagnóstico principal mais frequente foi pneumonia (18%), seguido da insuficiência cardíaca (9%) e enfarte cerebral (7%). Foram identificadas infeções nosocomiais em 20% dos doentes, das quais 52% com foco respiratório e 37% foco urinário. Cerca de 15% dos doentes tinham sido internados nos 30 dias anteriores e destes 48% foram re-internados pelo mesmo motivo. Quase 9% permaneciam internados a aguardar vaga em unidade de cuidados continuados ou resolução de problema social. Conclusões: Este estudo multicêntrico permite-nos construir uma visão da realidade das enfermarias de MI em Portugal. Predominam os doentes com múltiplas comorbilidades e de idade avançada. A difícil gestão da doença crónica, da pluripatologia, da fragilidade do doente idoso e das carências sociais constituem grandes desafios no quotidiano do internista.
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