Resumos - Consulta
COLEDOCOLITÍASE: UM DESAFIO DIAGNÓSTICO
D. Hepáticas   -   Poster
Congresso ID: PO-637   -   a partir do dia 29 de Maio nos LCDs
CHTMAD - VILA REAL, SERVIçO DE MEDICINA INTERNA
Costa Andreia, Grilo Inês, Salvador Fernando, Faria Trigo
A coledocolitíase resulta sobretudo da migração de cálculos da vesícula biliar para o colédoco, ocorrendo em 10-15% dos doentes com colelitíase, contudo podem existir cálculos com origem nos ductos biliares. Os autores apresentam um caso clínico de um doente do sexo masculino de 69 anos seguido por Diabetes Mellitus tipo 2 não controlada. Em Agosto de 2014, num estudo analítico realizado para a consulta, foi detectada alteração das provas de biologia hepática com citólise e colestase marcadas, não conhecidas até à data e sem outra sintomatologia associada (AST 117 U/L, ALT 163 U/L, GGT 1485 U/L, FA 220 U/L). Perante suspeita de toxicidade medicamentosa, suspendeu fármacos potencialmente hepatotóxicos e realizou estudo complementar: Ecografia e TAC abdominal revelaram fígado esteatósico sem outras alterações. Serologias víricas e rastreio imunológico foram negativos. Cinética do ferro, alfa-fetoproteína, alfa1 anti-tripsina e ceruloplasmina dentro dos parâmetros da normalidade. ColangioRM revelou “discreta ectasia das vias biliares intra-hepáticas, sem dilatação da via biliar principal” e biópsia hepática com “alterações de colestase possivelmente secundárias a obstrução de grandes ductos biliares”. Em Outubro foi submetido a novo internamento, tendo sido proposta realização de Colangiopancreatografia retrógrada endoscópica, cuja tentativa não foi bem sucedida por variante anatómica. Após discussão do caso optou-se pela realização de Colangiografia percutânea trans-hepática (CPT) que revelou “permeabilidade do cístico e do colédoco com imagem de subtracção milimétrica na porção distal do colédoco compatível com cálculo”. Dado as suas co-morbilidades, iniciou ácido ursodesoxicólico com resposta clínica aceitável. Destaca-se este caso pela particularidade da negatividade de todos os exames realizados, geralmente úteis no diagnóstico de coledocolitíase, e pelo diagnóstico só ter sido possivel após a realização de CPT, exame já pouco rotineiro na práctica clínica.
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