Resumos - Consulta
ASPERGILOSE PULMONAR INVASIVA COMO CONSEQUÊNCIA DE CORTICOTERAPIA EM ALTAS DOSES
D. Autoimunes e vasculites   -   Poster
Congresso ID: PO-18   -   a partir do dia 29 de Maio nos LCDs
HOSPITAL DE SANTA MARIA, SERVIçO DE NEFROLOGIA E TRANSPLANTAçãO RENAL E SERVIçO DE DOENçAS INFECCIOSAS
Iolanda Godinho, Noélia Lopez, Estela Nogueira, Sofia Jorge, Alice Fortes, Carla Santos, Sérgio Paulo, Tiago Marques, António Gomes da Costa
As espécies de Aspergillus são ubíquas na natureza e a sua inalação é um evento frequente, contudo a invasão tecidular é rara e encontra-se mais frequentemente associada à imunossupressão. O tratamento médico da aspergilose invasiva tem por base o voriconazol, ao qual se deve associar uma redução da imunossupressão, sendo que tratamento cirúrgico raramente é necessário. Os autores apresentam um caso de um doente de 53 anos que por suspeita de síndrome pulmão-rim em contexto de vasculite pANCA estava medicado com corticoterapia isolada em altas doses desde há cerca de um mês e meio. É internado por quadro sugestivo de hemorragia alveolar associado a lesões de vasculite cutâneas, com hematoproteinúria, sem agravamento da função renal e título de MPO negativo. Realizou broncofibroscopia que confirmou hemorragia alveolar e no exame microbiológico do lavado broncoalveolar isolou-se Aspergillus fumigatus. Iniciou-se terapêutica com voriconazol e desmame da corticoterapia, contudo apesar do tratamento médico ocorreu hemoptise maciça com instabilidade hemodinâmica e necessidade de lobectomia. A histologia da peça de lobectomia foi compatível com aspergiloma, em associação a granulomas. Assumiu-se o diagnóstico de granulomatose com poliangeíte com envolvimento pulmonar, das vias respiratórias superiores e cutâneo, sem evidência de envolvimento renal, e de aspergilose pulmonar invasiva. Não apresentou critérios para vasculite activa, contudo com o desmame da corticoterapia, houve reaparecimento de lesões de vasculite cutânea, tendo-se decidido iniciar micofenolato de mofetil, por intolerância à azatioprina. Actualmente encontra-se clinicamente bem, com títulos de MPO persistentemente negativos, e sob voriconazol em dose profiláctica. Este caso salienta a importância de adequar a imunossupressão e evitar usar corticóides em dose altas durante longos períodos, assim como excluir sempre causas infecciosas antes de assumir recidiva do processo autoimune.
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