Resumos - Consulta
FIBROSE PULMONAR – 8 ANOS NUMA UCI POLIVALENTE
Medicina Intensiva   -   Poster
Congresso ID: PO-1321   -   a partir do dia 29 de Maio nos LCDs
HOSPITAL DE EGAS MONIZ, UNIDADE DE CUIDADOS INTENSIVOS POLIVALENTE
Marta Manso, João Carmo, Geetha Girithari, Isabel Gaspar, Isabel Simões, Tomás Lamas, Eduarda Carmo
A fibrose pulmonar (FP) é a via final comum das doenças pulmonares intersticiais (DPI). Perante ausência de tratamento eficaz, nenhuma terapêutica tem beneficio comprovado na sobrevida. O mau prognóstico aumenta quando se associa ventilação mecânica (VM) com inevitável alteração da mecânica pulmonar. OBJECTIVO: Caracterizar os doentes admitidos numa Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) por insuficiência respiratória aguda, com diagnóstico de fibrose pulmonar. MÉTODOS: Estudo retrospectivo dos doentes internados em UCI num período de 8 anos. RESULTADOS: Amostra de 15 doentes (média 69.8 anos, APACHE II médio 23.6). Na maioria dos casos (67%) o diagnóstico já era conhecido. A etiologia da FP foi DPI limitada ao pulmão em 46.6% dos casos, doença do tecido conjuntivo em 33.3% e toxicidade farmacológica em 20%. A causa de admissão na UCI foi insuficiência respiratória aguda: infecção respiratória em 60%, progressão da doença em 20%, toxicidade farmacológica em 6.7%, edema pulmonar em 6.7% e pneumotórax em 6.7%. Foi assumida infecção respiratória em 9 doentes, 14 (93.3%) fizeram antibioterapia empírica, só tendo sido isolado agente infeccioso em 4 deles (26.6%). Quase metade (46.7%) estavam sob corticoterapia e 13.3% tinham outra imunossupressão (metotrexato e azatioprina). No domicílio, 40% estavam sob oxigenoterapia e 6.7% ventilação não invasiva (VNI). Durante o internamento foi iniciada/incrementada corticoterapia em 93% dos doentes, iniciada azatioprina num dos casos e imunoglobulina endovenosa noutro. Houve necessidade de VM em 80% dos doentes (média 13.4 dias) e em 7% foi utilizada VNI. A mortalidade foi 53.3% - ocorrendo os óbitos apenas nos doentes com VM (destes 66.7% faleceram). A causa de morte foi insuficiência respiratória refractária. CONCLUSÃO: A decisão de VM deve ter em conta a reversibilidade do quadro, futilidade do tratamento e desejo do doente. Devem ser privilegiadas abordagens menos invasivas e repensadas imunossupressão e antibioterapia.
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