Resumos - Consulta
MENINGOENCEFALITE E RADICULITE POR VIRUS VARICELA ZOSTER – UM CASO CLÍNICO
D. Infecciosas   -   Poster
Congresso ID: PO-090-10   -   Dia 14 de Março das 07h30 às 08h30 na Sala Mezanino - Pestana Forum
CENTRO HOSPITALAR TRáS-OS-MONTES E ALTO DOURO; SERVIçO DE MEDICINA INTERNA; SERVIçO DE NEUROLOGIA
João Pessoa Cruz, Ana Graça Velon, Renata Silva, Inês Soares, Daniel Carqueijo, Mário Rui Silva
Introdução: Entre as manifestações clínicas da reativação da infeção pelo vírus varicela zoster (VVZ), a meningoencefalite e a radiculite constituem apresentações raras, ainda mais quando surgem sequencialmente. A meningoencefalite caracteriza-se por um quadro clínico rapidamente progressivo de cefaleia, disfunção cognitiva, alteração do comportamento e défices motores ou sensitivos. O diagnóstico baseia-se na suspeição clínica, no estudo bioquímico e na pesquisa do ADN do vírus no líquido cefalorraquidiano (LCR). Caso clínico: Mulher de 65 anos, casada, com antecedentes pessoais de enxaqueca, hipertensão arterial, dislipidemia e osteoporose, que recorreu ao Serviço de Urgência (SU) por quadro clínico de dor e vesiculas dispersas no membro superior esquerdo (MSE). Teve alta medicada com metamizol e brivudina. Treze dias depois, regressou ao SU por agravamento do quadro com febre, mialgias, náuseas, vómitos, confusão e alucinações auditivas. Ao exame objetivo, apresentou febre e dor no MSE com lesões sugestivas de infeção por vírus herpes zoster (VHZ). O restante exame físico, incluindo o exame neurológico não evidenciou alterações. As serologias para VIH, VHB, VHC, sífilis e vírus herpes simplex foram negativas. A serologia para VVZ foi positiva. O estudo do LCR evidenciou 100 leucócitos com 98% de células mononucleares; proteínas e glicose normais. A pesquisa de DNA do VVZ no LCR foi positiva. A tomografia computorizada e a angio-ressonância magnética nuclear (RMN) cerebrais não revelaram alterações. A eletromiografia evidenciou radiculite C5 esquerda. Foi tratada com aciclovir, com melhoria das queixas cognitivas. Manteve contudo hiperestesia e compromisso funcional da porção proximal do MSE, tendo sido referenciada para tratamento de reabilitação. Conclusão: As manifestações neurológicas da infeção pelo VVZ são raras, mas não podem ser ignoradas no diagnóstico diferencial sobretudo no doente com queixas sugestivas de reativação de infeção latente por este vírus.
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