HomeHistóriaDocumentosCorpos GerentesContactosWebMasters
•  Da década de 80 aos nossos dias - o renascimento
Só cerca de 9 anos depois, ou seja a 5 de Fevereiro de 1983, por ocasião das Jornadas de Medicina Interna. de Coimbra, é que se realizou, por iniciativa do "Prof. Armando Porto e de outros colegas que a ele se agregaram" (tal como consta de uma carta circular de 15 de Março do mesmo ano assinada pelo Prof. Armando Ducla Soares), uma reunião informal com o fim de relançar as actividades da SPMI. Nesta circular apelava-se para "a compreensão da parte dos colegas da Medicina Interna e das suas sub-especialidades" com o objectivo de "obter a maior colaboração possível nesta obra de renascimento da Sociedade".
A 28 de Maio de 1983 efectuou-se uma Assembleia Geral da SPMI na qual estavam presentes apenas 4 sócios efectivos.
Depois de aberta a discussão em que intervieram os Drs. Jacinto Simões e Mário Quina, foi apresentada pelo Dr. Soares de Sousa uma proposta no sentido de serem admitidos como sócios da SPMI todos os internistas presentes que, de acordo com os estatutos. tivessem condições para tal.
Depois de aprovada por unanimidade esta proposta, foram admitidos 120 novos sócios cujos nomes constam das Actas da reunião. Procedeu-se depois à eleição da Direcção para o biénio 1983-1985 a qual ficou assim constituída:

Presidente: Prof. Armando Ducla Soares
Vice-Presidentes: Prof. Cerqueira Magro;
                                       Prof. Armando Porto
Secretário-Geral: Dr. Barros Veloso
Secretários-Adjuntos: Dr.Domingos Antunes de Azevedo;
                                                 Dr. Fernando Santos
Tesoureiro: Dr. António Castro

Em Fevereiro de 1984 realizou-se uma Assembleia Geral em que foram aprovados os novos Estatutos pelos quais se ficou a reger a vida da SPMI.
Finalmente a 2 de Março de 1985 teve lugar na Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa uma reunião científica que foi convocada com o nome de "1ªs Jornadas da Sociedade Portuguesa de Medicina lnterna". A primeira parte foi dedicada a analisar vários aspectos das "Perspectivas actuais da Medicina Interna" e abriu com uma das últimas intervenções públicas do Prof. Armando Ducla Soares da qual transcrevemos algumas das passagens mais significativas.

    "Recordo-me ainda, perfeitamente, do estilo e da praxis da Medicina Interna na rigorosa semiologia física da Escola Francesa de que havia exímios cultivadores na Faculdade de Medicina de Lisboa. Era a cristalização, melhor, a consagração das prodigiosas qualidades de observadores e interpretes que fizeram da França a Meca médica com as grandes figuras do século XIX, que se projectaram em pleno primeiro quartel do século XX.
    E assisti à "revolução" resultante da introdução, nas ciências clínicas, das conquistas das ciências básicas, da física, da quimica, da matemática, das ciências biológicas, etc., "revolução" devida, sobretudo, às alturas da cultura médica germânica e de outras áreas da Europa Central (Áustria, Hungria, etc) (...)
    Foi o momento da abertura larga do aparecimento da maioria das especialidades da Medicina Interna, agora alicerçada em rigorosos processos de observação física e quimica e apoiada na Anatomia Patológica, que passara a ser peça fundamental de demonstração.
    A própria Guerra de 1939, que transformou a Europa numa fornalha de desgraça e destruição, trouxe, além do colapso do progresso germânico, o êxodo de alguns dos maiores cientistas europeus para os Estados Unidos onde o clima tranquilo e receptivo das instituições científicas levaria ao cume o desenvolvimento da actual medicina, não só como Medicina total, científica e obfectlva, como também das especialidades e sub-especialidades que atingiram o grau de perfeição que todos hoje conhecemos.(...) Só que o estudo extremamente profundo na patologia levou ao aparecimento de técnicas tão sofisticadas, que foi necessário criar especialidades que iam afastando o conhecimento do Homem total do especialista(...). Na realidade, se as especialidades são indispensáveis para a elucidação de problemas específicos da patologia de um orgão ou sistema, só excepcionalmente cumprem a função da compreensão fisiopatológica total do doente. Daqui que a Medicina Interna saiba colher das especialidades os dados indispensáveis para a sua práctica, fazendo uma síntese que englobe o doente na larga visão psíquica e somática dos seus sofrimentos ".
A SPMI entrava assim na sua 2ª fase, em que partia da. estaca zero. Nem os apelos do Prof, Armando Ducla Soares conseguiam. evitar um movimento irreversível e já consumado: a separação das sub-especialidades médicas. Daí em diante a Medicina Interna teria que assumir a sua própria identidade e iria tentar sozinha recuperar o tempo perdido.
Nos dias 4 e 5 de Abril de 1886 a SPMI realizava, nas instalações da secção Regional do Porto da Ordem dos médicos, as suas 2ªs Jornadas, no fim das quais foi eleita a Direcção para o biénio 1986-1988, que ficou assim constituida:

Presidente: Prof. Cerqueira Magro
Vice-Presidentes: Prof. Armando Porto;
                                       Dr.Barros Veloso
Secretário Geral: Dr. Luis Pires Gonçalves
Secretários-Adjuntos: Dr. António Maria Meirelles;
                                                 Dr. Fernando Santos
Tesoureiro: Drª Ermelinda Pereira

No início desta nova fase, as actividades da SPMI limitavam-se à organização de uma reunião anual. Em 1987 essa reunião teve lugar a 30 de Maio, no anfiteatro da Universidade de Coimbra, e. abriu com um período de reflexão sobre "0 âmbito actual da Medicina Interna" seguido da apresentação de casos clínicos e da. discussão de "posters". Pela primeira vez registou-se uma elevada participação de internistas, com um número de "posters" muito superior àquilo que era esperado, facto que colocou sérios problemas à Direcção que, apanhada de surpresa, se viu obrigada a proceder a uma selecção de última hora. Ficava clara a vontade de participação dos internistas nas actividades da Sociedade a qual passou a constituir o espapo previlegiado para os seus encontros e para a apresentação da aua produção científica.
No ano seguinte (1988) a reunião realizou-se a 14 de Maio, na Faculdade de Ciências de Lisboa e iniciou-se com uma mesa redonda com o título "Medicina Interna e especialidades: que espaço" em que participaram os Drs. Mergulhão Gomes, Barros Veloso, Manuel Miraldo, Joaquim Antunes de Azevedo e Bonnet Monteiro.
Na Assembleia Geral com, que terminou esta reunião foi eleita. a Direcção para o biénio 1988-1990 que ficou assim constituída:

Presidente: Prof. Armando Porto
Vice-Presidentes: Prof. Levi Guerra;
                                       Dr. Barros Veloso
Secretário-Geral: Dr. Luís Pires Gonçalves
Secretários-Adjuntos: Dr. António Maria
                                                 Meirelles; Dr Fernando Santos
Tesoureiro: Dra Maria Ermelinda Pereira

Em 1989 a reunião da SPMI realizou-se a 26 e 27 de Maio no Hospital de São João do Porto, abriu com uma conferência do Prof. Levi Guerra intitulada "0 sentido e a necessidade da Medicina Interna na vida hospitalar".
Mais uma vez se registou um enorme afluxo de "posters" e de comunicações livres que veio confirmar o crescimento e a renovada vitalidade da Sociedade, cujos primeiros sinais tinham sido detectados, dois anos antes, na reunião de Coimbra.
Entretanto a Direcção tomou a iniciativa de dinamizar as actividades regionais da SPMI e de promover contactos com as várias organizações internacionais ligadas à. Medicina Intema.
Dentro desta linha, fez-se representar no 19° Congresso da ISIM (Sociedade Internacional de Medicina Interna)-(Bruxelas 29 de Agosto de 1968), no Congresso da Federação Ibero-Americana (Alicante, 13 de Setembro de 1988), na 7ª Conferência Europeia da AEMIE (Bruxelas, 17 de Maio de 1989), e no 20º Congresso da ISIM (Estocolmo, 17 de Junho de 1990).
Nesta última reunião internacional, a representação portuguesa foi a segunda mais numerosa, logo a seguir à representação sueca.
Entretanto foi decidido realizar o 1° Congresso Nacional de Medicina Interna que teve lugar no Auditório dos Hospitais Universitários de Coimbra a 4 e 5 de Maio de 1990.
O Congresso abriu com uma conferência do Prof.Armando Porto intitulada "0 Presente e o Futuro da Medidna Interna", tendo registado "grande participação e elevado número de comunicações" como consta do relatório do Secretário-Geral, Dr. Pires Gonçalves.
Para o dia 4 de Maio, primeiro dia do Congresso, tinha sido convocada uma Assembleia Geral para discussão de um projecto dos novos Estatutos da SPMI. A justificação para esta iniciativa da Direcção consta da própria convocatória: "Dado o crescimento do número de associados da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, julgou a Direcção útil promover alterações aos Estatutos que permitam acompanhar e desenvolver esse crescimento".
Nos novos Estatutos, que foram aprovados por maioria, criava-se a categoria de sócios honorários, alargava-se a composição da Direcção para 9 membros (com 3 Vice-Presidentes e 3 Secretários- Adjuntos) e previa-se a organização, no seio da Sociedade, de "Núcleos de Estudo" em áreas específicas da.Medicina Interna.
Devido a aspectos formais relacionados com a legalização e registo notarial dos novos Estatutos, a eleição dos corpos Gerentes da SPMI, que deveria realizar-se em 1990, foi adiada, mantendo-se em exercicio a anterior Direcção.
Entretanto, e na sequência de contactos de elementos da SPMI com o Presidente da AEMIE (Association Européenne de Medecine Interne d'Ensemble) foi decidido realizar em Lisboa o XI Congresso desta organização europeia de Medicina Interna, o qual teve lugar no Palácio de Congressos da FIL nos dias 4,5 e 6 de Novembro de 1991.
Durante este Congresso em que intervieram vários Portugueses como conferencistas e como "co-chairmen", foram apresentados numerosos "posters" e comunicações livres da autoria de Internistas portugueses. À margem do Congresso foram escolhidos dois membros da Direcção da SPMI (Prof. Armando Porto e Dr. Barros Veloso) para integrarem o Forum dos Presidentes das Sociedades de Medicina Interna da Europa e o Conselho de Administração da AEMIE.
No dia 6 de Novembro de 1991, enquanto decorria o XI Congresso da AEMI, realizou-se na sede da Ordem dos Médicos em Lisboa uma Assembleia Geral para eleição dos Corpos Gerentes para o biénio 1991-1993. A nova Direcção ficou assim constituida:

Presidente: Dr. Barros Veloso
Vice-Presidentes: Prof. Levi Guerra;
                                       Dr. Santana Maia;
                                       Dr. Luis Pires Gonçalves
Secretário-Geral: Dr. Luis Dutschmann
Secretários-Adjuntos: Dr. José Ávila Costa;
                                                 Dr. Faustino Ferreira;
                                                 Dr. Carlos Soares de Sousa
Tesoureiro: Dr. Fernando Santos



Foto 4 - Capa do Programa do II Congresso da SPMI

Revistos os estatutos e ultrapassada a fasquia dos 800 sócios, pode dizer-se que, a partir de 1991, a SPMI entrou na sua 3ª fase.
A Direcção apresentou então um programa que incluía a criação de Núcleos de Estudo, a realização de reuniões regionais e o incremento das relações internacionais.
O II Congresso Nacional de Medicina Interna que entretanto teve lugar em Lisboa, em Novembro de 1992, constituiu, pelo nível e número de participantes, mais um momento importante da vida da Sociedade (Foto4).
Finalmente a Direcção tomou a iniciativa de lançar a Revista "Medicina Interna", projecto que se impunha concretizar face ao dinamismo actual dos internistas portugueses.
Estão assim criadas condições para que a Medicina Interna ocupe o lugar que legitimamente lhe pertence e adquira um renovado prestígio "incarnado em numerosos e ilustres clínicos, herdeiros da boa e velha tradição médica portuguesa", tal como vaticinava, na sua alocução inaugural em 1952, o primeiro presidente da SPMI.

Topo topo
© SPMI - Sociedade Portuguesa de Medicina Interna
desenvolvimento : João Figueira