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 Foto 1 - Aspecto da assistência à sessão inaugural da SPMI onde se reconhecem, entre outros, Juvenal Esteves, Ducla Soares, Celestino da Costa, Manuel Frazão, Cristiano Nina, Diogo Furtado, Castro Freire, Alberto Mac-Bride e Eugenio Mac-Bride
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A história da SPMI começou com a aprovação dos estatutos por despacho ministerial de 14 de Dezembro de 1951. A 17 de Julho de 1952 teve lugar a primeira Assembleia Geral durante a qual foi eleita por aclamação a lista para a Direcção, assim constituída:
Presidente: Prof. Mário Moreira
Vice-Presidente: Prof. Alfredo Rocha Pereira
Secretário-GeraL: Prof. Xavier Morato
Secretários-Adjuntos: Dr. Carlos Gomes de Oliveira; Prof. Arsénio Cordeiro
Tesoureiro: Dr. Alfredo Franco
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A sessão inaugural da Sociedade realizou-se a 27 de Dezembro de 1952 na Sala dos Actos da Faculdade de Medicina de Lisboa, sob a presidência do Ministro da Educação Nacional. Para a posteridade ficou-nos uma fotografia da assistência (Foto 1) que deixa transparecer o papel agregador que a Medicina Interna protagonizava na época: para além de alguns internistas como Eugénio Mac-Bride, Ducla Soares e Cristiano Nina é possível identificar Celestino da Costa, Catedrático de Histologia, Alberto Mac-Bride, cirurgião, Diogo Furtado, neurologista, Juvenal Esteves, dermatologista, Castro Freire, pediatra, Manuel Frazão, cirurgião, etc. A Medicina Interna encontrava-se então num período áureo graças à influência de figuras tutelares como Pulido Valente e Fernando da Fonseca, poucos anos antes exonerados da Faculdade de Medicina por motivos políticos. Por outro lado os movimentos de separação das sub-especialidades médicas eram ainda muito débeis, pelo que a Medicina Interna continuava a ser a placa giratória de toda a actividade clínica.
Que já se tinham começado a sentir algumas ameaças de desagregação, as quais pareciam em fase de retrocesso, pode depreender-se da alocução do Presidente, Prof. Mário Moreira, intitulada "Grandeza e Decadência da Medicina Interna":
"(...) manifesta-se no presente uma tendência marcada contra o espírito de cisão da Medicina em especialidades, que desumanizou a mesma, dividindo o doente em departamentos, cada um do foro de um especialista, ignorando ou esquecendo este o "todo" indivíduo no seu modo de reacção geral e particular e na interdependência desses mesmos departamen-tos.(...) Devemos insistir em que o doente é um "todo"; que não é o fígado ou o coração, o rim ou o estomâgo que estão doentes, e o homem somático e psíquico, no físico e no espiritual, e é a doença nas suas multiformes traduções clí-nicas que o médico tem de considerar nas re-lações com o doente. E só o Internista, honestamente informado e actualizado, poderá com-preender o doente no seu conjunto humano .(...)
Assim justifica-se inteiramente o prestígio que volta a ter por toda a parte a Medicina Interna e que no nosso País não deixou de ser mantido e incarnado, felizmente, em numerosos e ilustres clínicos dentro e fora desta Sociedade, her-deiros da boa e velha tradição médica portu-guesa.(...)"
Na sessão inaugural falou também o Prof. Vaz Serra, em representação da Sociedade Internacional que a certa altura afirmou; "A grande ambição da Medicina Intema de hoje está no progresso do conhecimento científico, isto é, a substituição da probabilidade pela certeza, a dúvida pela segurança, a sombra pela claridade".
No decorrer do seu 1° ano académico (1952-1953) a SPMI realizou 4 reuniões científicas em que foram apresentadas 12 comunicações entre as quais estavarn incluidos trabalhos da área da Pediatria, da Neurologia e das técnicas de laboratorio, o que revela, mais uma vez, a activa participação das diversas disciplinas clínicas na vida da Sociedade. Note-se que as reuniões tinham sempre lugar no Hospital de Santo António dos Capuchos, na chamada sala da Sociedade Médica dos H.C.L.

 Foto 2 - Capa do primeiro número do "Boletim da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna" |
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Entretanto a Direcção decidiu criar uma revista para divulgar as comunicações científicas, mas, por não ter meios financeiros suficientes, fez um acordo com o Jornal do Médico, através do seu Director, o Dr. Armando Pombal que, gratuitamente, passou a reunir as separatas numa publicação anual: o "Boletim da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna" (Poto 2).
0 primeiro número do Boletim surgiu no início de 1954 e incluía 10 das 12 comunicações apresentadas nas sessões científicas. Terminava corn o "Relatório do Secretário Geral e do Tesoureiro" respeitante ao ano de 1952-1953 apresentado pelo Dr. Gomes de Oliveira, em substituição do Prof. Xavier Morato que entretanto tinha sido empossado no cargo de Presidente da Sociedade de Ciências Médicas .
No seu relatório, o Dr. Gomes de Oliveira fazia algumas considerações acerca da Medicina Interna que a seguir transcrevemos:
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"0s subsídios trazidos à compreensão da Patologia pela Fisiologia, Fisiopatologia, Histologia, Biologia, etc. transformaram muitas noções erradas, assentes em teorias mais ou menos especulativas, em factos de verificação exacta que abriram largos caminhos aos actuais conhecimentos e permitem conhecer, identificar e interpretar a doença com cada vez menor margem de erro.
E a Medicina Interna é como que a escada interior que liga os diferentes andares e os corredores dos vários pisos que constituem o edifício da Medicina. Não é de estranhar portanto considerarmos que toda a contribuição que os estudiosos da Medicina Interna possam dar no sentido de aperfeiçoar o seu conhecimento, actualizá-lo e divuigá-lo, será de proveito e não só para a ciência médica em geral, mas ainda, em particular, para a sua aplicação práctica ao doente, razão de ser de todas as nossas preocupações".
No 2º ano de existência da SPMI (1953-1954), o Dr. Gomes de Oliveira manteve-se no exercício das funções de Secretário Geral e apresentou a 30 de Julho de 1954 o respectivo relatório anual. Segundo consta deste documento realizaram-se durante esse ano 8 sessões em que foram apresentadas 16 comunicações, três das quais numa reunião conjunta com a Sociedade Portuguesa de Oto-Neuro-Oftalmologia. 0 número de sócios da SPMI era nessa altura de 81, dos quais 56 efectivos e 25 agregados.
Nos anos que se seguiram e até 1963 a vida da SPMI continuou a processar-se nos mesmos moldes, mantendo-se a publicação anual do Boletim.
Neste periodo, (1954-1963) realizaram-se novas eleições para os corpos gerentes em 1954, 1956 1958 e 1960 sendo os seguintes elementos que integraram as diversas Direcções:
Direcção eleita a 30.07.1954
Manteve a constituição da anterior, com as seguintes alterações: o Dr. Gomes de Oliveira passou a ocupar o cargo efectivo de Secretário-Geral que até então desempenhava, em substituição do Prof. Xavier Morato, tendo entrado para o lugar de Secretário-Adjunto o Dr. Rafael Adolfo Coelho.
Direcção eleita a 27.07.1956 e reeleita em 18.07.1958
Presidente: Prof. Augusto Vaz
Vice-Presidentes: Prof. Carlos Salazar de Sousa;
Prof. Carlos Ramalhão
Secretário-Geral: Dr. Carlos Gomes de Oliveira
Secretários-Adjuntos: Prof. Mário de Alemquer;
Dr. Pena Carvalho
Tesoureiro: Dr. Femando Leal
0 ano lectivo de 1954-1955 abriu a 3 de Dezembro de 1954 com uma conferência do Prof. Mário Moreira intitulada "Medicina do Corpo, Medicina do Espírito" e a 30 de Abril de 1955 realizou-se a primeira sessão no Porto, em obediência a um desejo de descentralização das actividades da Sociedade.
No ano lectivo 1955-1956 há que mencionar a sessão solene de homenagem à memória do Prof. Egas Moniz na qual esteve presente o Ministro da Educação Prof. Leite Pinto.
0 ano lectivo 1956-1957 abriu a 23 de Novembro de 1956 com uma palestra do então Presidente da SPMI, Prof. Vaz Serra, intitulada "Direitos e Aspirações da Medicina Interna".
Durante o ano lectivo 1957-1958 a Sociedade, para além das sessões ordinárias, organizou, entre 6 de Maio e 18 de Junho de 1956, trés colóquios com um total de 10 sessões e 26 comunicações, subordinados aos seguintes temas: "Neuroses", "Poliomielite" e "Diabetes".
0 ano lectivo 1958-1959 só foi inaugurado a 30 de Janeiro de 1959 sob a presidência do Dr. Mário Carmona, então Enfermeiro-Mor dos Hospitais Civis de Lisboa. A alocução inaugural sob o título "0 erro na clínica" esteve a cargo do Prof. Augusto Vaz Serra. A 28 de Novembro de 1959 a reunião da Sociedade realizou-se pela primeira vez na Faculdade de Medicina de Coimbra.

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Foto 3 - Mesa da Presidência à sessão da SPMI de homenagem ao Prof. Egas Moniz. Da esquerda para a direita: Vaz Serra, Mário Moreira, Medeiros de Gouveia (representante do Instituto de Alta Cultura), Leite Pinto ( Ministro da Educação Nacional ), Emilio Faro ( Enfermeiro - Mor dos HCL ), Rocha Pereira e Gomes de Oliveira.
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