A criação do Núcleo de Estudos Geriátricos da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna é uma resposta atenta à realidade, em constante mutação, das necessidades sanitárias da população portuguesa, nas quais o factor envelhecimento tem progressivamente vindo a ter maior peso. De facto, a população idosa, e sobretudo muito idosa, tem aumentado exponencialmente em Portugal nas últimas décadas, prevendo-se que tal crescimento se mantenha no futuro: actualmente mais de 17% da população portuguesa tem idade superior a 65 anos e é previsível que este número ultrapasse os 30% em 2050. Este aumento do número de idosos tem necessariamente reflexos sobre a saúde, não só porque as doenças, quer crónicas quer agudas, são mais frequentes neste escalão etário, mas também porque a abordagem diagnóstica, terapêutica e social do doente idoso requer cuidados particulares. Representando os idosos a maioria dos doentes tratados pelos Internistas e sendo, naturalmente, a Geriatria uma área da Medicina Interna, é fundamental que esta possua no seu seio um espaço próprio que contribua para o debate, formação e investigação nesta área. Importa salientar que se é verdade que a Geriatria é Medicina Interna, não o é menos que ser internista não é sinónimo de saber tratar cabalmente os idosos. Para que isto aconteça será necessário que os Internistas, e em particular os Internos da Especialidade, sejam sensibilizados para as diferenças existentes entre idosos e não idosos. O ideal será que no futuro, tal como acontece noutros países europeus, haja ensino pré-graduado da Geriatria e os Internos de Medicina Interna tenham formação específica neste campo através de estágios parcelares. Contudo, para que isto aconteça será necessário que, pelo menos nos serviços de Medicina Interna dos grandes hospitais, sejam criadas unidades de geriatria, cuja finalidade, sem prejuízo da vertente terapêutica, seja essencialmente virada para a formação e investigação. A Medicina Interna, uma especialidade que necessariamente tem uma visão holística dos problemas de saúde do ser humano, não a terá com o doente idoso se não tiver conhecimentos geriátricos. Perante um idoso doente “o Internista sem sensibilidade geriátrica trata a doença do idoso e o Internista com sensibilidade geriátrica trata o idoso”.
Foi por acharem que a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna pode e deve ter um papel importante neste processo que um grupo de sócios propôs à Direcção da SPMI a criação do Núcleo de Estudos Geriátricos, proposta que após ter sido aceite em Reunião de Direcção de 17 de Outubro de 2008, foi submetida e aprovada na Assembleia-Geral da SPMI realizada no dia 16 de Janeiro de 2009 no Hotel dos Templários em Tomar.
Os objectivos deste núcleo de estudos passam por promover a discussão da Geriatria no seio da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, estimular a investigação, organizar eventos de formação e actualização, emitir normas de boa prática médica, trabalhar com outras sociedades científicas em projectos da área e colaborar com as entidades oficiais sempre que para tal for solicitado.
Espera-se que seja um núcleo activo e que contribua não só para a melhoria da das pessoas idosos, mas também para o engrandecimento da Medicina Interna Portuguesa.
Manuel Teixeira Veríssimo
(Coordenador do Núcleo)