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A "medalha" comemorativa do 50º aniversário da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna evoca, no anverso, em feliz tratamento artístico, o longo percurso histórico da medicina como arte que, sem perder -desenvolvendo, até - os superiores valores éticos, se foi libertando da ancestralidade mítico-mística, exigindo-seconhecimento-fundamentação científica dos fenómenos da vida e suas perturbações.
O bastão - que o artista estilizou, mas dando-lhe sinal de vida - ganhou uma força simbólica moderna, não já referente a autoridade absoluta de raiz religiosa, mas, sim, como índice de competência e de responsabilidade. A figura ofídica, de forte e proteica carga simbólica benéfica, bem pode manter-se no emblema da medicina, pois que, cada vez mais, conhecimento, sabedoria, custódia, renascimento, mensagem e até fertilidade, são conceitos bem presentes nos objectivos, filosofia e sociologia da medicina hodierna. Essa forma zoomórfica, elegante e dinâmica, encontra recordação na esplêndida arquitetura molecular dos ácidos nucleicos de que depende a vida da matéria, e que anima a ambição e a esperança de uma medicina nova e vitoriosa, da medicina de amanhã.
Na outra face, fica o registo de uns tantos clínicos que, ao longo da segunda metade do século XX, congregaram uma plêiade de médicos que deu generoso esforço e importantes contributos ao desenvolvimento da fundamentação ciêntifica, aperfeiçoamento metodológico e sentido ético-humanístico de um múnus médico que, perante inestimáveis progressos tecnológicos, entretanto, felizmente, conseguidos, chegou a parecer dispensável...
Carlos Soares de Sousa
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