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Aniversário SPMI
Discurso do Presidente na Sessão Comemorativa do 50º Aniversário da SPMI
Exmos Senhores

Ministro da Saúde
Bastonário da Ordem dos Médicos
Director da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa
Presidente da Assembleia Geral da SPMI
Ex-Presidentes da Direcção da SPMI
Dr. João Sá

Caros colegas

Minhas Senhoras e Meus Senhores


Começarei, em nome da Direcção da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna a que tenho a honra de presidir, por cumprimentar V. Exas, agradecendo vivamente o terem aceite juntar-se a nós, assim contribuindo para a elevação que desejamos para a comemoração deste 50º aniversário – comemoração que pretendemos seja preito e homenagem a quantos, ao longo da segunda metade do Século XX, dentro ou fora da SPMI, se empenharam nessa nobre mas difícil, indispensável mas mal reconhecida, árdua mas intelectualmente gratificante especialidade designada Medicina Interna.

E, em particular, a tantos ilustres médicos que, pretendendo congregar esforços, permutar conhecimentos e experiência e desenvolver a cultura dessa arte-ofício, lançaram os alicerces, ergueram, mantiveram e ou recuperaram o edifício da nossa Sociedade.

Para tal elegemos esta data e este belíssimo local.

A data é a primeira que conhecemos, documentada, da vida da SPMI, cujos estatutos inaugurais foram aprovados, por despacho ministerial, em 14 de Dezembro de 1951.

Este local impôs-se-nos porque foi nesta veneranda sala que veio a realizar-se a sessão inaugural da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

Mandatório me é, assim expressar ao Senhor Prof. Doutor António Rendas, Digníssimo Director da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa, o nosso reconhecimento pela generosidade e prontidão com que nos concedeu o privilégio de nos encontrarmos, hoje, aqui.

Não faremos a história dos primórdios e desenvolvimento da SPMI, aliás tratada, quase até aos nossos dias (1990) pelo distinto internista e nosso ex-Presidente, Dr. Barros Veloso – que outros importantes serviços prestou á nossa Sociedade e nos honra com a sua presença.

Mas não resisto a lembrar que, nessa sessão inaugural (27/12/52), o grande internista e primeiro Presidente da Direcção da SPMI, Mário Moreira, em brilhante alocução intitulada “Grandeza e decadência da Medicina Interna”, referia “o prestígio que volta[va] a ter, por toda a parte, a Medicina Interna e que, no nosso país não deixou – dizia – de ser mantido e incarnado em numerosos e ilustres médicos(...) herdeiros da boa e velha tradição da Medicina Portuguesa”, tecendo considerações sobre o sentido, a importância e vicissitudes da Medicina Interna que, a meu ver, mantêm, hoje, grande pertinência ...

Porém, o empenhamento e ânimo desses nossos fundadores ou dos que se lhes seguiram, veio a esmorecer...

Alguns deles, aliás, felizmente e com benefícios para a Medicina Portuguesa, enveredaram por outras áreas da ciência e prática médicas.

Nomearei, com vénia, a título ilustrativo e sem demérito para ninguém, Arsénio Cordeiro, Jacinto Simões, Juvenal Esteves, Barahona Fernandes, Corino de Andrade, Miller Guerra, Almerindo Lessa, Esteves Pinto, ...

O certo é que, nos últimos anos 60, a SPMI entrou em estado de coma. Não digo agonia ... porque veio a reanimar-se.

Decorridos 16 anos, em que se foi assistindo a um crescente reconhecimento de que, para o bom aproveitamento, em real beneficio para o doente e para a comunidade, de tantos progressos científicos e técnicos, algo se estaria a perder - decorridos 16 anos, dizia, um grupo de médicos que teimavam em cultivar a Medicina Interna, apoiando-se no carisma de Ducla Soares – que, afinal, ainda era o Presidente da Direcção – a um alerta de Luis Abecassis – que, afinal, ainda era o Tesoureiro – a chamado de Armando Porto, decidiram restaurar a SPMI.

Foi em Maio de 1983, em Coimbra.

Também não farei a história (aliás, em parte já fixada) de 18 anos que já leva esta SPMI restaurada.

Virá depois de nós quem, ultrapassadas as preocupações que nos assistem, faça essa história ... e a julgue.

Mas há que afirmar que, nestes 18 anos, apesar de tudo, muito se fez.

Não descansamos sobre a obra feita, mas orgulhamo-nos dela e dos que ajudaram a levantá-la.

Sabemos que muito há a fazer, muitas dificuldades a vencer, e até alguns equívocos a esclarecer ...

Os esforços de quantos nos precederam – mesmo os esforços baldados – e dos que nos acompanham, impõem que se continue e legitimam o contido orgulho com que festejamos este 50º aniversário.

Impõem que continuemos, não por qualquer interesse corporativo – que, se legítimo, noutras sedes há-de ser tratado – mas porque estamos convictos de que, como pleiteava Mário Moreira, há cinquenta anos, só numa perspectiva internística, honestamente informada e actualizada, se poderá compreender o doente no seu conjunto humano e oferecer-lhe, económica, oportuna, ética e adequadamente, os benefícios dos avassaladores progressos da ciência e da técnica ...

A SPMI conta cerca de 1300 associados. Eram 150, há 18 anos.

Depois da sua restauração, em 1983, realizou sete Congressos Nacionais, sempre ampla, efectiva e activamente participados por centenas de médicos de diferentes gerações.

Criaram-se vários Núcleos de Estudo de áreas especificas da Medicina Interna, que aprofundam e divulgam em reuniões de trabalho e múltiplos simposia.

Fundou-se e mantem-se a revista MEDICINA INTERNA, trimestral, que, com regularidade apreciável, vai no seu 8º ano.

Pratica um plano – ainda que modesto – de bolsas, concedidas mediante apreciação de curricula ou projecto.

Pretende desenvolver um plano de formação, já iniciado com um curso (com teste de avaliação) de Introdução à investigação.

Promove a participação activa de internistas em Congressos Nacionais, nomeadamente como docente da Escola Europeia de Medicina Interna.

Tem sede própria – que espera ter paga a curto prazo – que implica postos de trabalho total ou parcial.

O seu patrocínio institucional e científico é frequentemente solicitado para iniciativas de outras Sociedades ou entidades.

A SPMI foi considerada de utilidade pública há alguns anos Dec. Lei 460/77 de 7 de Novembro D R de 18 de Março de 1998, E alguns etc. ...

Não estamos satisfeitos.

É preciso fazer mais, melhor, em diversos níveis e planos.

Esta comemoração – que fazemos com discreto júbilo e contido orgulho – e que a presença de V. Exas honra e abrilhanta, queremos que seja uma homenagem a quantos nos precederam, o testemunho de que temos consciência da responsabilidade que nos legaram, e uma pausa de meditação e reforço do ânimo ... para continuar !

Muito obrigado.


Carlos Soares de Sousa


Proferido na sessão comemorativa realizada em 14/12/2001 na sala de Actos da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa com a presença dos Senhores Ministro da Saúde, Bastonário da ordem dos Médicos e Director da Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa
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