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Intervenção
na Sessão Inaugural
do Presidente da SPMI
Dr. Faustino Ferreira
Ex.mo Senhor Governador Civil de Braga
Dr. Fernando Moniz
Exmo Presidente do Conselho Nacional Executivo da Ordem dos
Médicos
Dr. Pedro Nunes
Ex.mo Senhor Presidente da ARS do Norte
Dr. Alcino Maciel Barbosa
Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Braga –
Eng. Mesquita Machado
Exmo Senhor Presidente do 11º Congresso Nacional de Medicina
Interna
Dr. António Rodrigues Dias
Ex.ma Senhora Dr.ª Glória Sousa Alves em representação
da Direcção do Colégio de Medicina Interna
e do seu Presidente Dr. João Sá
Ilustres convidados e congressistas
Caras e Caros Colegas, Internistas de Portugal
Bem vindos ao XI Congresso Nacional de Medicina Interna.
Bem vindos a Braga
Grato pela vossa presença nesta sessão inaugural
O nosso congresso anual é um momento
muito especial da nossa vida como internistas. Ponto alto da
actividade nossa Sociedade é hoje um evento incontornável
no panorama científico médico do nosso país.
É para todos nós um momento de formação
e enriquecimento científico, mas também de encontro,
de reflexão e de festa. Nele redescobrimos cada ano o
orgulho de sermos internistas e recuperamos força e confiança
para a persecução da nossa missão.
O Congresso deste ano vai ser tudo isso. Programa rico e diversificado,
onde a par de um excelente conteúdo científico,
a que as comunicações livres e posters dão
um enorme contributo, teremos oportunidade de reflectir sobre
os desafios que se colocam hoje à Medicina Interna.
A adesão e participação dos médicos
e o apoio obtido junto da indústria farmacêutica,
a este Congresso realizado aqui, em Braga, superam as expectativas
e é um forte sinal do dinamismo actual da Medicina Interna
do crescente reconhecimento da nossa especialidade e da maturidade
organizativa do nosso Congresso. A Indústria Farmacêutica
tem neste Congresso de Braga uma fortíssima presença
que muito agradecemos e que nos apraz realçar.
É pois este Congresso um êxito. Um Êxito
que tem rosto. O rosto do Presidente do Congresso Dr.
António Rodrigues Dias, e do Secretário-Geral
Dr. Narciso Oliveira, bem como de toda a sua equipa que os apoiaram.
Bem hajam pela forma como se empenharam e concretizaram este
Congresso. A SPMI fica vos muito grata pela forma como souberam
superar este desafio. A todos os que tornaram a realização
deste congresso possível, conseguindo inventando tempo,
roubando-o ao tempo de descanso, para prepararem as vossas comunicações,
o nosso muito obrigado. Aos revisores científicos que
com a celeridade pedida analisaram os trabalhos e permitiram
a sua selecção, tendo neste processo utilizado
exclusivamente a via electrónica o nosso agradecimento.
Devo uma palavra de reconhecimento ao nosso staff da SPMI que
ao longo do ano trabalha para o Congresso, mas que se esgotam
nos meses que o antecedem, sempre com entusiasmo e dedicação.
Este é também o Congresso delas. À Adelina
Custódio, Cristina Silva e a Ana Pedreira muito obrigado.
Quero agradecer pessoalmente e em
nome da SPMI a presença de tão ilustre personalidades
que com a sua presença nesta mesa honram a Medicina
Interna portuguesa.
Quero saudar em particular, e agradecer em especial, a presença
entre nós, do nosso novo Bastonário,
o Dr. Pedro Nunes. Confiamos em ti para liderar os
médicos nos desafios que a Medicina portuguesa têm
de superar neste início do século XXI, pela
sua independência, por uma sólida formação
e actualização científica, pela salvaguarda
do nosso compromisso exclusivo com os doentes.
Mas nós, os internistas, também esperam muito
de ti, do teu apoio e empenho no reforço e dignificação
da Medicina Interna não permitindo a sua subalternizarão
nem a sua fragmentação. A Medicina Interna é,
com toda a convicção, um dos principais sustentáculos
da Medicina como a herdamos de Hipócrates. O enfraquecimento
da Medicina Interna implicará sempre o enfraquecimento
da Medicina. A salvaguarda de uma Medicina Interna forte e
prestigiada é um garante para toda a Medicina.
A MI ao tudo assumir sem regatear, todas as patologias novas
e velhas, e as novas formas de abordar as doenças (cuidados
intensivos, emergência médica), tem assistido,
por vezes passivamente, ao seu desmembramento, que ocorre
quando uma das suas partes se torna área interessante
de actividade em termos económicos. A defesa duma Medicina
moderna e actual impõe a defesa e salvaguarda da Medicina
Interna. A Medicina Interna é essencial à boa
pratica médica global (de todos os médicos)
e não podemos permitir-nos trilhar caminhos que levam
ao esvaziamento da nossa especialidade.
Cabe ao Bastonário um papel crucial no enfrentar desta
questão.
Está em fase de discussão
o novo regulamento do internato médico.
Temos participado activamente na sua discussão. Por
ele passa também o futuro da Medicina Interna. Pensamos
ter neste campo uma visão realista, exigente mas exequível.
Queremos saudar a forma como tens sabido conduzir este processo
e estamos confiantes em que se encontre uma solução
que garante a formação em Medicina Interna a
todos os especialistas da área da Medicina Interna
(tronco comum) sem atribuição de qualquer título
ou diferenciação no final da sua realização,
e em simultâneo que continue a existir um curriculum
próprio e específico da nossa especialidade.
Foi com agrado que soubemos da recente
aprovação pelo CNE da Ordem dos Médicos,
do Regulamento sobre patrocínio científico
da Ordem de eventos científicos. A SPMI defende
uma cultura de exigência neste campo. A SPMI bate-se
por uma actualização e formação
contínua dos seus membros e dos médicos em geral.
Promove e patrocina acções de formação
de qualidade, em que o programa científico é
o principal critério, mas em que a entidade científica
que as promove é também garante da sua idoneidade.
Neste sentido tem assumido a recusa de patrocínio de
pseudo-congressos ou outros eventos, em que aquilo que nos
foi submetido, não foi um programa cientifico, mas
o local paradisíaco onde se realiza e o número
de convites endereçados à Direcção
da SPMI caso dê-se cobertura a tal evento. Sejamos claros.
Estas acções só desprestigiam quem nelas
participa, fragiliza as Sociedades ou outras entidades que
lhe dão patrocínio, banaliza a formação
médica, coloca em risco o tempo que oficialmente nos
está destinado para a formação, bem como
desvia recursos que deixam de estar disponíveis para
um maior apoio às actividades das Sociedades Científicas.
A credibilidade dos médicos e das suas organizações
mede-se também pela capacidade de dizer não
a tão aprazíveis cantos de sereia.
Por tudo isto defendemos uma colaboração estreita
entre as estruturas da nossa Ordem, nomeadamente os Colégios
de Especialidade e as Sociedades Científicas.
Pedro, sei o esforço que fizeste
para estar aqui connosco, sou por isso testemunha que com
a tua presença quiseste honrar a Medicina Interna neste
início de mandato. Pedro, Obrigado por teres vindo.
Felicidades para o teu desempenho. Conta com a nossa colaboração
leal e franca.
A Sociedade Portuguesa neste último
ano foi abalada por vários tsunamis. O Governo mudou,
os líderes políticos mudaram, A nossa situação
nacional continua muito difícil e complexa, mas novos
protagonistas e interlocutores renovam a esperança.
Sendo o congresso um momento de reflexão
é pois tempo de balanço.
Interessa perceber como viveu a Medicina Interna
este ano.
O nosso modelo de organização social –
o estado social – está em risco e torna-se necessário
encontrar soluções que preservando o essencial
– o acesso a todos dos cuidados de saúde quando
deles necessitem - permitam a sua sobrevivência. Por
outro lado a evolução da Medicina obriga hoje
a pensar o Hospital e toda a organização da
prestação de cuidados de modo diferente. Os
hospitais serão cada vez mais grandes serviços
de ambulatório e unidades de cuidados intensivos e
menos hospícios.
Perspectivar o futuro da Medicina Interna numa Sociedade
em Mudança, conhecer antecipadamente o papel
do internista no Hospital do futuro foi tarefa a que metemos
ombros este ano. Preparar um Plano Estratégico
para a Medicina Interna Portuguesa é o nosso objectivo
imediato.
Para tal iniciamos um processo que
nos irá munir dos dados necessários e por em
campo os meios convenientes. Na última folha informativa
já demos conta de algumas acções realizadas.
Promovemos na Cúria em 9 de Outubro, uma sessão
de reflexão estratégica, sobre o futuro da Medicina
Interna em Portugal, recorrendo à colaboração
de profissionais, que nos permitiu estabelecer um primeiro
esboço do trabalho que urge fazer. Na sequência
dele realizou uma outra reunião com jovens internistas
na Quinta das Lágrimas, e o promovemos a realização
do Questionário aos internistas cujos
Primeiros Resultados serão apresentados amanhã
na nossa Assembleia-geral, para a qual conto com a vossa presença
certo da curiosidade que o seu conhecimento suscita.
A forma maciça como os internistas responderam –
obtivemos mais de 400 respostas, das quais 250 pela Internet
- é só por si um êxito e releva bem o
significativo do apoio que esta iniciativa despertou. A iniciativa
de realização deste questionário é
única entre nós e confiamos que os resultados
obtidos irão certamente ajudar-nos a orientar a nossa
acção.
Preparamo-nos assim para abandonarmos em definitivo um registo
de lamentação, e dom sebastianismo, para um
registo de afirmação e combate não entregando
a outros o destino da nossa especialidade.
Mas enquanto trabalhamos para o Plano
estratégico a SPMI não tem estado parada. Temos
procurado defender os interesses do internistas em todas as
frentes possíveis.
Uma batalha que travamos com êxito junto do Infarmed
e da tutela foi o impedir que a prescrição das
terapêuticas biológicas na Artrite Reumatóide
tivesse ficado exclusivamente na mão dos Reumatologitas.
O papel do Nedai e do seu coordenador, Dr. Luís Campos,
foi determinante neste combate.
Devemos assumir e defender a generalização do
princípio que toda a terapêutica da Médica,
mesmo com uso restrito a uma sub-especialidade médica
(por ex. oncologia, infecto, gastrenterologia, pneumologia
ou reumatologia) será sempre do âmbito da prescrição
da Medicina Interna. Tal já está contemplado
quer implícita quer explicitamente para algumas situações
como a Fibrose quistica, para a SIDA, para a artrite reumatóide,
mas tal não acontece por exemplo com a restrição
do infliximab na D. Chron.
Os núcleos de Estudo ao longo
deste ano retomaram um dinamismo que importa realçar.
Na Sessão de encerramento que será presidida
por sua Excelência o Ministro da Saúde, será
entregue o prémio de investigação em
auto-imunidade, criado no âmbito das actividades do
NEDAI.
É com muito agrado que tomei conhecimento que existe
um grupo de internistas que se propõem constituir um
Núcleo de Estudos de Cuidados Continuados que vem confirmar
que este é também uma das suas possíveis
áreas de actuação.
Há muito tempo vimos denunciando
a falta de médicos e nomeadamente de especialistas
de Medicina Interna. É esta falta, associada
à falta de Clínicos Gerais que torna o quotidiano
dos internistas tão duro e desmotivante. Temos aqui
a registar uma boa notícia a registar - 132
vagas para Medicina Interna no próximo concurso de
acesso à especialidade. O maior número
de vagas num universo de 758. Certamente que aquilo que temos
dito e feito nos últimos anos, chamando a atenção
para a carência de internistas, nomeadamente o impacto
do Congresso de Vilamoura que contou com a presença
de sua Excelência o Senhor Presidente da República
e do então Ministro da saúde, não será
alheio a este facto.
Há que garantir agora, aos novos internos, as melhores
condições para a sua formação
e motivação. Sendo muitos deles oriundos da
vizinha Espanha teremos de criar condições para
os fixar.
Neste ano iniciamos um processo de
contacto e cooperação com colegas especialistas
com problemas comuns. Neste sentido temos vindo a reunir com
a Direcção da Associação
Portuguesa de Médicos de Clínica Geral e da
Sociedade Portuguesa de Pediatria. Temos em
conjunto o problema da escassez de especialistas nas nossas
áreas respectivas, somos especialidades generalistas,
temos questões de formação em comum e
a forte convicção de que a resolução
dos principais problemas de saúde no nosso país,
passa de modo especial pelas nossas especialidades. Estamos
por isso empenhados em estabelecer uma estratégia comum
de cooperação e intervenção junto
do Poder político e das instituições.
Neste sentido estive como convidado no 22º Encontro da
Associação de Médicos de Clínica
Geral e o seu Presidente Dr. Luís Pisco é nosso
convidado neste Congresso.
Ainda antes das eleições se realizarem, decidimos
pedir uma audiência em conjunto ao novo Ministro da
Saúde. Após as eleições formalizamos
esse pedido e iremos ser recebidos por Sua Excelência
na próxima 5ªFeira, dia 19 de Maio
Outras iniciativas internas foram
também tomadas. Renovamos o aspecto gráfico
da nossa revista “Medicina Interna” ficou mais
atraente. Património dos internistas que nela se revêem,
sabemos quão importante é todos. Ainda ontem
sob a Direcção do Dr. Barros Veloso iniciamos
a sua publicação e já vamos no 12º
ano de publicação. Estamos agilizar os procedimentos
de recepção e selecção dos manuscritos
a par do que já conseguimos com os resumos para o Congresso
anual. Toda a colaboração é bem vinda.
O nosso agradecimento ao Dr. Mascarenhas Araújo pelo
seu empenho na renovação da revista, bem como
à nossa secretária D. Cristina Silva.
O nosso sítio na Internet começa a mexer. Já
é possível encontrar informação
actualizada com muita regularidade e muitos de vós
o terão visitado nos meses que antecederam o Congresso.
Sugestões precisam-se.
Pôr a Medicina Interna na agenda implica muita determinação
e um esforço conjugado de todos.
Cabe a Direcção coordenar e facilitar esse esforço,
mas nada o pode realizar sozinha.
Como defender mais e melhor os internistas?
Como superar o isolamento e o abandono que os internistas
sentem no seu quotidiano. Como melhorar a comunicação
dos nossos êxitos e dificuldades, como estreitar laços
entre os internistas. Como quebrar o isolamento geográfico
e a reforçar a descentralização das nossas
actividades de que este congresso é um bom exemplo.
Como tornar o reconhecimento de cada pessoa que tratamos desde
o Presidente da República ao mais anónimo cidadão
no reconhecimento colectivo da sociedade que servimos?
Encontrar estas respostas é a tarefa prioritária
para podermos agir de modo eficaz.
Está a Direcção determinada a contribuir
para a modificação deste estado de coisas. Vamos
aproveitar os resultados finais do questionário para
realizar sessões ao longo do país para a sua
apresentação e discussão. Vamos promover
reuniões de apresentação/divulgação
da SPMI junto dos novos internos.
Mas a Direcção por mais que queira não
se pode substituir ao colectivo. Somos todos internistas e
todos devemos contribuir de algum modo. Daqui lanço
o repto aos colegas que a partir de Outubro organizem localmente
sessões a onde a Direcção se deslocará
com estes objectivos. Digam o que precisam que tentaremos
encontrar meios. Hoje somos uma Sociedade com meio muito razoáveis.
Aos jovens internistas renovo o apelo. Não fiquem à
espera que a SPMI vá ter convosco. Ela deverá
ir e quando for abram-lhe a porta do vosso coração.
Mas se não for tomem vocês a iniciativa. Sejam
exigentes. Aprendam a ser exigentes, não a resmungar.
Vão à procura, ao encontro da vossa Sociedade
e tornem-na ainda mais vossa, como nós temos feitos
nos últimos 15 anos. A SPMI será aquilo que
vocês quiserem que ela seja, mas podem estar certos
de que os meios e condições que a SPMI hoje
dispõe para a defesa da Medicina Interna, dos seus
internos e jovens internistas, são incomparáveis
aos que disponhamos há pouco tempo atrás. Honrem
a Medicina Interna trazendo a vossa energia à vossa
Sociedade.
Obrigado pela vossa atenção
Bom Congresso
Braga, 11 de Maio de 2005
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