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Discurso do Presidente da SPMI no 7 º Congresso Nacional

Exmos Senhores
(...)
Caríssimas Colegas
Caros Colegas

É bom estar aqui, neste Algarve de maravilhas e tentações...

Mas não foram as motivações correntes que nos trouxeram cá.

É com grande alegria que vemos realizar-se um Congresso Nacional de Medicina Interna - o encontro maior dos Internistas Portugueses – nesta região, ainda um tanto distante, de Portugal; nestes algarves tão apetecidos por tantas e a vários títulos desvairadas, fascinantes, quase oferecidas gentes...

Nestes algarves que, desde o fundo da história, tanto contribuem para a caleidoscópica identidade nacional;
nestes algarves de gentes alegres mas sofredoras, trabalhando duramente, em terra ou no mar, contribuindo para a riqueza e prestígio de Portugal aqui e longe daqui;
(São inúmeros os algarvios - alguns licenciados em medicina - que deram ou dão contributos para a cultura portuguesa); nestes algarves, apesar de tudo ainda tão sujeitos às vicissitudes das periferias e nem sempre bem ouvidos na satisfação dos seus anseios.

Mas não foram as motivações costumeiras que nos trouxeram aqui...

Tardamos, talvez, andando com os nossos congressos, sucessivamente, pela Lusa Atenas, pela inevitável capital, pela minha invicta e sempre leal (agora transformada num pandemónio de maquinarias e poeira).

Tradicionalmente, os congressos da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna realizavam-se nos chamados grandes centros, lá onde as circunstâncias históricas e sociais concentravam e retinham - e atraíam – os meios de decisão, acção e desenvolvimento e respectivos agentes e estruturas, tantas vezes de costas voltadas para os vários ocidentes e orientes do país, nomeadamente no respeitante a serviços de saúde e à formação e atracção dos seus profissionais e, portanto, dos internistas... ...internistas, esses que teimam em dedicar-se a “essa nobre mas difícil, indispensável mas mal reconhecida, árdua mas intelectualmente gratificante especialidade designada de Medicina Interna”.

Porém, pouco a pouco, apesar da parcimónia dos incentivos, apesar da teimosia dos desincentivos que à Medicina Interna são conferidos, muitos internistas foram aceitando instalar-se nos vários algarves do país e aí exercer o seu múnus, contribuir para a implementação de serviços e empenhar-se na própria formação, actualização e transmissão de conhecimentos e experiência.

Esse empenhamento tem vindo a traduzir-se de várias maneiras, nomeadamente, - na organização de reuniões cientificas – muitas delas de iniciativa dos Núcleos de Estudo da S.P.M.I. – levadas a efeito em diversas das tantas interessantes e hospitaleiras localidades dos vários quadrantes de Portugal; - na participação activa, com comunicações orais ou posters, em congressos, jornadas, etc... e até na produção de artigos editados na nossa revista ou outras publicações.

A especificação dessas iniciativas – em particular as devidas aos diversos Núcleos de Estudo da S.P.M.I., ao longo dos anos e em cada ano, correria o risco de imperdoáveis omissões.

São reuniões de trabalho, symposia, workshops – e até um congresso virtual! - cuja inventariação está em curso, com vista à necessária rentabilização e condigno registo.

É trabalho precioso em diversas áreas da Medicina Interna, desde as doenças autoimunes ao intensivismo, passando pelas doenças vasculares cerebrais, pela diabetes e pela S.I.D.A.

Permitir-me-ão, no entanto, que sublinhe a criação da Bolsa de Estudos V.I.H. da S.P.M.I., nascida do dinamismo do jovem Núcleo de Estudos da infecção pelo V.I.H., com o mecenato de conceituada marca farmacêutica.

Das iniciativas das Direcções, não é o momento – nem seria elegante –de as sublinhar, mas devo chamar também a atenção para o intercâmbio com a Escola de Medicina Interna da E.F.I.M.- Alicante - que nos solicita participação activa e passiva, para cuja frequência, também este ano, a S.P.M.I. atribui bolsas a internos de Medicina Interna.

Entretanto, no seio da S.P.M.I. – mais não fazendo que traduzir, estou certo, um anseio de muitos dos seus associados e não só -, desenvolveu-se, a ideia de que era necessário e se impunha levar o Congresso a outros centros. A realização deste 7º Congresso Nacional de Medicina Interna, nesta parte de Portugal por onde tantos passam de fugida, em voo quase rapace, constitui, assim, a concretização inaugural dessa necessidade - obrigação sentida pela S.P.M.I. e feita objectivo da Direcção a que tenho a honra de presidir, em continuidade de projecto da Direcção que nos antecedeu.

Porém, isso foi possível graças, também, à vontade e sentido de missão de um punhado de internistas algarvios que, em assinalável espírito de colaboração com a sua Sociedade e seus serviços, se dispuseram a meter ombros à sempre difícil tarefa de organização de um Congresso. E eis que, para além do êxito já garantido pelo trabalho da Comissão* liderada pelo distinto internista Senhor Dr. Pastor Santos Silva e pela resposta de internistas e candidatos a internistas de todo o país, o 7º Congresso Nacional de Medicina Interna, o primeiro levado a efeito longe das sedes clássicas - que, aliás, se manterão -, está a constituir já eficaz catalisador, sendo que já se perfilam vontades para o futuro.

E é com muito gosto que posso antecipar que - se Apolo e os demais Deuses quiserem -, para além do 8º Congresso, em Coimbra, no próximo ano, estaremos na Madeira, em 2003, e em Braga, em 2005, com passagem por Lisboa, em 2004.
(E estou certo de que, neste contexto, também a Medicina Interna vai ter a sua lista de espera).

Vamos aproveitar bem os ensinamentos e permuta de experiência que este 7º Congresso Nacional de Medicina Interna nos promete!

Vamos aproveitar ainda para nos conhecermos melhor e porque não? – aproveitar a hospitalidade deste Algarve magnífico para descansar um pouquinho das freimas do dia a dia ...

Muito obrigado pela Vossa atenção!


Vila Moura, 24 de Maio de 2001



Carlos Soares de Sousa

Discurso proferido na sessão inaugural do 7º Congresso Nacional de Medicina Interna



* Constituida pela Senhora Drª. Augusta Pereira e pelos Senhores Drs. Alvaro Carvalho, Carlos Godinho, Carlos Reis, Carlos Santos, Fernando Moura, Filomena Alves e Helena Brito.

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